As estratégias iniciais dos dois principais candidatos à sucessão do governador Marcos Rocha

14 de novembro de 2023 68

Inimigos à altura

A balela de que as supervigiadas ongs criaram um “Estado paralelo” no país pode iludir incautos, mas não oculta a verdade de que é o crime organizado o monstro paralelo a combater. O sociólogo Bruno Paes Manso, autor do livro A república das milícias, desvenda com riqueza de informações em sua nova obra – Fé e Fuzil – a realidade que já não pode ser escondida: há um poder invisível se impondo e por mais que use símbolos patrióticos, religiosos e falsos “pastores”, não vem dos céus.

Além de se ocultar por trás de cores e símbolos positivos, como o jogo do bicho já havia feito com o futebol e escolas de samba, o crime organizado tem na floresta seu braço mais dissimulado, cometendo crimes ambientais disfarçados de progresso e distribuição de renda. Apesar da tolerância que encontrou de governos, desde o Palácio do Planalto aos estados, esse “Estado paralelo” é o foco central das GLOs (operações de garantia da lei e da ordem) recentemente decretadas.

Enraizado na sociedade mais pobre e sofisticado em toda a linha, o crime de alto coturno acaba de ganhar inimigos poderosos para o embate. Além das GLOs e os militares, o projeto “Criminalidade, insegurança e legitimidade: uma abordagem transdisciplinar”, que une especialistas das áreas de ciência de dados, computação e ciências sociais, significa que os cientistas, finalmente, também foram chamados a combater o crime.

.........................................................................................

A paternidade

Pela configuração dos acontecimentos que o ministro dos Transportes Renan Filho está dando ao novo lançamento do edital da ponte binacional em Guajará Mirim, o novo pai da ponte é o senador Confúcio Moura (MDB-RO) autor da proposta que concede recursos da União para o empreendimento. Seria justo o ministro lembrar também do ex-senador Valdir Raupp e da ex-deputada federal Marinha Raupp autores das primeiras emendas para a elaboração dos projetos técnicos, que foi o pontapé inicial da ponte sobre o rio Mamoré, na divisa com a Bolívia.

Estratégias iniciais

Vejam as estratégias iniciais dos dois principais candidatos à sucessão do governador Marcos Rocha (União Brasil), que são Jaime Bagatolli (PL-Vilhena) e Hildon Chaves (União Brasil-Porto Velho). Do lado de Bagatolli se manter no PL, a legenda do ex-presidente Bolsonaro é uma necessidade, se não conseguir reaver o comando da legenda, negociar com o senador Marcos Rogério (PL-Ji-Paraná) uma dobradinha e naturalmente contar com a benção do ex-presidente a sua campanha. Investir nas pautas conservadoras, assegurar o apoio do agronegócio e do segmento evangélico estão nos objetivos do candidato bolsonarista.

Grandes obras

 Do lado de Hildon Chaves:  ele trabalha com afinco na interiorização do seu nome através do comando da Associação Rondoniense dos Municípios-AROM. Uma dobradinha com ele ao governo e Marcos Rocha ao Senado viria a calhar, se o mandatário não estivesse afiando o punhal da traição, para lançar seu vice Sergio Gonçalves candidato a governador. Também Hildão se prepara para a inauguração de grandes obras na capital, reafirmando sua condição de excelente administrador e exportando esta imagem para o interior do estado. Também precisa definir o comando de uma legenda para a disputa, já que não tem o domínio do União Brasil. Provavelmente volte ao PSDB.

As pesquisas

No momento em que são iniciadas as primeiras pesquisas visando as eleições municipais do ano que vem, dois segmentos eleitorais precisam também ser melhor monitorados, já que possuem tendências distintas em Porto Velho. O segmento evangélico mais conservador, atento as posições sobre aborto e costumes da família com expressivo número de parlamentares estaduais e federais em Rondônia. Do outro lado, o eleitorado formado pelo LGBTQIA + (que são os gays e sapatas) que cresceu muito nos últimos anos e elegendo representantes a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.

Na capital

Em Porto Velho o bolsonarismo comparece as urnas em outubro rachado até o talo o que pode facilitar a condição de um candidato da centro-esquerda a um provável segundo turno contando com o apoio do presidente Lula, desde que haja uma união dos partidos da esquerda com a federação Brasil Esperança. No segmento mais conservador temos os deputados federais Fernando Máximo e Cristiane Lopes (União Brasil), Leo Moraes (Podemos) e Mariana Carvalho (Progressistas), esta última considerada uma das favoritas para a peleja, mas que enfrenta alguma resistência no eleitorado evangélico.

 

Via Direta

*** O Ministro Flavio Dino liberou recursos na ordem de R$ 138 milhões para os estados do Amazonas e Roraima para vitaminar a segurança pública amazônica, combatendo o tráfico de drogas, a criminalidade ascendente, etc *** Espera-se que Rondônia, que ficou como o patinho feio nesta liberação, de verbas posteriormente também seja lembrado. A bancada federal tem que cobrar já que temos uma enorme fronteira com a Bolívia, pais produtor de drogas e que é sede de carteis poderosos, liderando o narcotráfico *** Mais uma semana calorenta em Rondônia e muitos estados do País, num ano que será lembrado pela maior estiagem de todos os tempos *** Golpe dos consignados com rachadinhas para estourar na aldeia...

Fonte: CARLOS SPERANÇA
POLITICA & POLÍTICOS (CARLOS SPERANÇA)

Colunista político do Jornal "DIÁRIO DA AMAZÔNIA", Ex-presidente do SINJOR, Carlos Sperança Neto é colaborador do Quenoticias.com.br. E-mail: csperanca@enter-net.com.br