As perguntas que Lula quer ouvir

1 de março de 2018 441

A colunista social da Folha de S. Paulo trata os pagamentos de propina a Lula como um simples caso de promiscuidade entre público e privado.

Ela não deve ter visto os novos e-mails de Marcelo Odebrecht, que falam especificamente sobre a reforma do sítio de Atibaia e dos repasses da conta Amigo.

Leia mais um trecho de sua entrevista ao criminoso condenado pela Lava Jato, em que ela faz as perguntas que ele gostaria de responder:

Empreiteiras fizeram uma reforma no sítio de Atibaia porque o senhor o frequentava. Independentemente de a Justiça concluir se houve ou não crime, não foi no mínimo indevido, uma relação promíscua entre um político e uma empreiteira?

Não. Esse é um outro tipo de processo. Não é o processo do qual estou sendo vítima. 

É uma pergunta que estou fazendo ao senhor.

Essa pergunta eu espero que seja feita em juízo, pelo Moro. Porque primeiro disseram que o sítio era meu. Aí descobriram que ele tem dono. Então mudaram [para dizer que] me fizeram favor. Se fizeram, não me pediram. Eu fiquei sabendo desse sítio no dia 15 de janeiro de 2011.

Por que empreiteiras tinham que bancar a manutenção do acervo formado na presidência, por que tinham que reformar o sítio? Essa relação não passou do ponto?

Quando eu for prestar depoimento, eu espero que essas sejam as perguntas que eles me façam.

Mas eu estou fazendo agora.

Não, você não é juíza. Eu vou esperar o juiz. Porque se eu responder para você, o Moro vai fazer outras. Aí, quer discutir a questão da ética, vamos discutir. É um outro processo. Eu quero saber onde eles vão chegar. Eu quero saber o limite da mentira.