ATURAR O INDIGESTO ALCKMIN NO LUGAR DO LULA SERIA DOS “MALES, O MENOR”
Apesar das circunstâncias históricas e políticas serem hoje em dia bastante diferentes da época em que redundou no impeachment da Presidenta Dilma Rousseff,do PT,em 2016,abrindo a sua “vaga” para o então Vice-Presidente da República,José Temer,do PMDB,sem dúvida as forças que agiram nas duas épocas apresentam muitas semelhanças.
Nessas condições,em 2016,José Temer,que assumiu o lugar de Dilma Rousseff,foi eleito nas “carona” de Dilma,e do PT,porquanto em 2014 Temer não teria o “cacife” necessário para se eleger Presidente,seja pelo seu partido,seja por outro.
Mas Temer governou merecendo pelo menos “nota 5”,numa escala de zero a dez. Não foi nenhuma maravilha,mas também nenhuma tragédia,como seria se Dilma continuasse. Nesses dois anos e pouco do seu mandato o pais passou a viver em maior paz,apesar de prosseguir “aparelhado” pelo PT. Temer representava mais “moderação”, e um certo recrudescimento da corrupção que campeava solta nos governos petistas desde 2003.
Não é muito diferente a situação política “daquele” 2016 ,entre Dilma e Temer, da que hoje se verifica na relação Lula/Alckmin. Temer estava para Dilma, em 2016,tanto quanto Alckmin está para Lula ,em 2023,tão logo completado o primeiro trimestre de governo. É que Lula não conseguiu camuflar por muito tempo a que veio.
O vazamento das verdades escondidas pelo Governo Lula sobre os episódios de 8 de janeiro,pela CNN, gravados nos vídeos “secretos”do Governo por cinco anos, que redundaram na depredação dos prédios e instalações dos Três Poderes,em Brasilia,demonstram às escâncaras que tudo foi “armação”de agentes do próprio Governo,inclusive do General Gonçalves Dias ,Ministro do GSI,”amigo íntimo” do Presidente.
Mas a grande diferença entre o impedimento de Dilma,e o provável impedimento de Lula,é que o motivo do afastamento de Dilma foi muito menos grave (pedaladas fiscais) do que os motivos dos os quais Lula tenta se defender. Dilma saiu por alegada infração à uma rubrica contábil de governo,ao passo que as acusações que pesam sobre Lula seria a autoria intelectual,no mínimo por omissão,do vandalismo de 8 de janeiro.
A diferença que poderia existir entre os episódios que afastaram Dilma e os que poderiam abalar o Governo Lula,seria uma eventual intervenção do poder militar,comandado por militares “sacramentados”por Lula.
Mas a história mais recente demonstra a posição extremamente “legalista” dos comandos militares,que não se insurgiram contra o afastamento de Dilma,então “Chefa” Suprema das Forças Armadas,em 2016,que também não se insurgiram contra a validade de apuração feita pelo TSE das eleições presidenciais de 2022,dando a vitória Lula,questionadas pelo então Presidente Bolsonaro.
Isso significa que apesar de todo um esforço incontido para “aparelhamento” das Forças Armadas,tradicional política do PT,no novo Governo Lula,certamente elas não se insurgiriam contra o seu impedimento. E a posse de Geraldo Alckmin.
Se a preocupação maior fosse em manter o poder presidencial com a esquerda,a eventual posse de Alckmin,cujo “coração” não se desligou do PSDB,adotando o PSB como mera “fachada”,não mudaria nada. Foi uma estratégia de Alckmin para poder concorrer à Vice-Presidência na chapa de Lula.
Essa alternância de poder entre o PT e o PSDB,aliás,tem uma história antiga. Remonta a 1993,quando Lula,representando a esquerda mais radical,o PT,e o Foro de São Paulo,pactuou com Fernando Henrique Cardoso,representando o PSDB ,o “Diálogo Interamericano”,e a esquerda mais moderada,o chamado “Pacto de Princeton”,nos Estados Unidos,que adotou a “estratégia das tesouras”,de Hegel e Carl Marx,com a tesoura significando as suas duas lâminas que partem de lado opostos mas que se encontram no “corte”.
Por isso o impeachment de Lula e a posse de Alckmin estaria meramente dando uma renovada na fachada do “Pacto de Princeton”,de 1993,visto que na alternância do poder da esquerda acertada naquele pacto,agora seria a vez da esquerda “moderada”assumir,com o “histórico” PSDB Geraldo Alckmin,depois da esquerda radical do PT ter governado e “roubado”,de 2003 a 2016.
Na “guerra” dos apoios políticos,parece que a balança penderia para Geraldo Alckmin,que teria a seu favor a esquerda moderada,a direita,e o centro,contra a esquerda,que tentaria manter Lula na Presidência.
Sérgio Alves de Oliveira
Advogado e Sociólogo
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Sérgio Alves de Oliveira