Aviso de Lula aos navegantes: está pronto para a disputa de 2026
Estreando uma fórmula de relacionamento direto e mais frequente com a imprensa, o presidente Lula concedeu nesta quinta-feira uma longa entrevista coletiva informal em que abordou questões de governos diversas e mandou um aviso político-eleitoral, embora evitando declarar-se candidato: o de que está pronto, em todos os sentidos, para enfrentar a disputa eleitoral de 2026.
Antecipando-se a uma eventual exploração de problemas de saúde e idade, pontuou: “eu tive um acidente, não uma doença. Estou com 79 anos de idade e energia de 30”.
Lula respondeu a perguntas sobre os temas mais variados, como reforma ministerial, juros, déficit fiscal, relação com o Congresso, relação com Trump, e outros assuntos da conjuntura, mas o recado que ele parece ter dado com mais gosto, embora de forma indireta, foi para aqueles que, como fez o presidente do PSD, Gilberto Kassab, colocam em dúvida suas chances de reeleição.
Bem no início, antes mesmo que o nome de Kassab viesse à tona, ele afirmou: “Quem quiser derrotar meu governo terá que travar luta de rua, e não apenas na Internet, onde mentir é fácil”, disse ele ao recordar o crescimento do PIB nos dois primeiros anos do atual mandato, contra todas as previsões, feito que ele promete repetir.
Lula, segundo uma fonte petistas, estava engasgado com a declaração de Kassab, de que ele não se reelegeria se a eleição fosse hoje, seguida de um comentário desairoso sobre Fernando Haddad, que chamou de “ministro fraco”.
O presidente disse que começou a rir ao saber da frase de Kassab, pois ainda faltam dois anos para o pleito. Por isso não estaria nem um pouco preocupado com pesquisas eleitorais feitas hoje. Tomou as dores de Haddad, lembrando que, como ministro, ele negociou e aprovou a PEC da transição antes mesmo da posse do governo, elaborou e conseguiu aprovar no Congresso o arcabouço fiscal, e também negociou a aprovação de uma reforma tributária que parecia impossível e trará muitos benefícios ao país.
Ao confirmar a reforma ministerial, não informou quem sairá ou entrará no governo, mas fez questão de elogiar a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que deve ir para a Secretaria-Geral da Presidência da República, definindo-a como “um dos quadros políticos mais refinados do partido”.
Mais adiante, Lula voltou a falar indiretamente de sua candidatura, perguntando:
- Vocês acham que eu voltaria à presidência da República se não fosse para fazer mais? Passei dois anos plantando e agora vamos começar a colher e a entregar resultados.
E aproveitou para falar de suas condições físicas, depois do susto do acidente: “Estou com 79 anos de idade e energia de 30. Duvido que vocês, jornalistas, aguentem uma agenda diária como a minha”.
O aviso foi dado, mas ninguém marcará hora para ele assumir sua candidatura à reeleição. Lembro-me de que, em 2005, o ano da grande crise do mensalão, diante das pressões para que se definisse, ele costumava dizer: só farei isso quando eu concluir que posso vencer a eleição. E assim foi.
Acho que ele continua seguindo este preceito, e ontem tratou de estabelecer que ele tem a precedência, no PT e no campo progressista que o apoia. Até que ele tome sua decisão, não se fala em outra candidatura. Até mesmo porque não existe outro nome, até onde a vista alcança.
A entrevista desta quinta-feira foi a fórmula acertada entre o ministro Sidônio e o Secretário de Imprensa Laércio Portela, diante da necessidade de expor mais o presidente, tirando-o da redoma protetora em que se isolou nos últimos tempos.
Eles pensaram numa entrevista informal, tipo “quebra-queixo”, com ele e os jornalistas de pé. Os próprios jornalistas do comitê de imprensa sortearam os encarregados de fazer dez perguntas. No final, conseguimos que ele respondesse a mais duas, e uma delas foi a minha, que cheguei atrasada, pois estava no ar, na TV 247, enquanto o sorteio ocorria.
Neste primeiro teste, Lula passou. Falou sobre tudo o que lhe foi perguntado e não escorregou em cascas de banana. Não haverá, entretanto, segundo Laércio, periodicidade fixa para a entrevista, para que ela não se banalize. Veremos.
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A POLITICA COMO ELA é (POR : TEREZA CRUVINEL)
Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247; E colaboradora do site www.quenoticias.com.br