Banco Master pagou R$ 41,7 milhões a políticos e ex-ministros em 2025

10 de abril de 2026 20

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Banco Master pagou R$ 41,7 milhões a políticos e ex-ministros em 2025

Documentos da Receita Federal revelam repasses a nomes como Temer, Meirelles, Lewandowski e ACM Neto; valores acendem alerta sobre influência no poder

alan.alex@painelpolitico.com

abr 8

 

 

 

 

 

 

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Em resumo

  • Banco Master declarou ao menos R$ 41,7 milhões em pagamentos a ex-ministros, dirigentes partidários e autoridades em 2025

  • Entre os beneficiários: escritório de Michel Temer (R$ 10 mi), Henrique Meirelles (R$ 8,6 mi), Guido Mantega (R$ 8 mi) e ACM Neto (R$ 1,8 mi)

  • Contratos foram firmados como consultoria jurídica, institucional ou de análise político-econômica

  • Por que isso importa: a revelação ocorre em ano pré-eleitoral e reacende o debate sobre os limites entre advocacia, lobby e influência no aparelho de Estado

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    Banco Master pagou R$ 41,7 milhões a políticos e ex-ministros em 2025

    Documentos da Receita Federal revelam repasses a nomes como Temer, Meirelles, Lewandowski e ACM Neto; valores acendem alerta sobre influência no poder

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    Em resumo

  • Banco Master declarou ao menos R$ 41,7 milhões em pagamentos a ex-ministros, dirigentes partidários e autoridades em 2025

  • Entre os beneficiários: escritório de Michel Temer (R$ 10 mi), Henrique Meirelles (R$ 8,6 mi), Guido Mantega (R$ 8 mi) e ACM Neto (R$ 1,8 mi)

  • Contratos foram firmados como consultoria jurídica, institucional ou de análise político-econômica

  • Por que isso importa: a revelação ocorre em ano pré-eleitoral e reacende o debate sobre os limites entre advocacia, lobby e influência no aparelho de Estado

  • Os dados declarados à Receita Federal pelo Banco Master, sob controle de Daniel Vorcaro, apontam uma rede de contratos que conecta a instituição a figuras centrais da República. Veja os principais valores:

  • Escritório do ex-presidente Michel Temer: R$ 10 milhões

  • Empresa do ex-ministro Guido Mantega (Fazenda): R$ 8 milhões

  • Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda: R$ 8,6 milhões

  • Consultoria do ex-ministro Ronaldo Bento: R$ 6,2 milhões

  • Empresa do ex-ministro Fabio Wajngarten: R$ 3,8 milhões

  • Escritório de Ricardo Lewandowski e familiares: R$ 2,3 milhões

  • Consultoria de ACM Neto, pré-candidato ao governo da Bahia: R$ 1,8 milhão

  • Escritório de Antônio Rueda, presidente do União Brasil: R$ 1 milhão

  • Os valores não indicam, por si só, irregularidade. Contudo, a concentração de repasses a agentes com trânsito em Brasília, somada ao contexto de investigação do Banco Master, eleva o nível de questionamento sobre a natureza e o propósito dessas contratações.

  • Consultorias: entre a advocacia técnica e a influência política

    No caso de Ricardo Lewandowski (ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça), a declaração de Imposto de Renda do Banco Master registra R$ 2,3 milhões pagos ao seu escritório em 2025. De acordo com a colunista de O GLOBOMalu Gaspar, o contrato teria começado em 2023 como consultoria institucional do próprio Lewandowski. Após sua saída do escritório para assumir o Ministério da Justiça, em janeiro de 2024, o vínculo foi transferido para seu filho, Enrique Lewandowski, que passou a prestar consultoria sobre temas fiscais e tributários.

    Em nota, Lewandowski afirmou que retornou à advocacia em abril de 2023, após deixar o STF, e que “além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”. A nota acrescenta que, ao assumir o Ministério da Justiça, ele suspendeu seu registro de advogado e deixou a sociedade com familiares, “como determina a legislação vigente”.

    Já Antônio Rueda, líder do União Brasil na Câmara, admitiu em março ter prestado serviços advocatícios ao Master, com “dezenas de pareceres e centenas de reuniões”. Em nota, classificou a relação como “atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país”, executada “dentro dos mais rigorosos padrões legais e éticos”.

    “Prestou serviços de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional” — ACM Neto, em resposta ao GLOBO

    ACM Neto e o fluxo de recursos via Coaf

    Os dados da Receita Federal também apontam o pagamento de R$ 1,8 milhão a uma empresa de consultoria em nome de ACM Neto (ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia) em 2024. Segundo alerta enviado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre março de 2023 e maio de 2024, a companhia recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master.

    Em texto enviado ao GLOBO, ACM Neto afirmou que constituiu a empresa após deixar o cargo público e que prestou serviços a clientes como o Banco Master e a Reag, “com contratos formais, devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados”.

    O contexto institucional: por que esses números importam

    A revelação dos pagamentos do Banco Master ocorre em um momento de alta sensibilidade política. O ano de 2025 marca o início do ciclo pré-eleitoral para as eleições de 2026, período em que a definição de alianças, o acesso a recursos e a construção de narrativas ganham intensidade.

    Além disso, o Banco Master está sob escrutínio de órgãos de controle e investigação. Nesse cenário, contratos de consultoria com figuras que transitam entre o setor público e o privado — especialmente ex-ministros, ex-presidentes e líderes partidários — naturalmente suscitam questionamentos sobre:

  • A fronteira entre assessoria técnica e influência política

  • O uso de estruturas jurídicas para viabilizar acesso privilegiado a tomadores de decisão

  • A transparência e a prestação de contas em relações que envolvem dinheiro público indireto ou regulação financeira

  • Possíveis questionamentos por parte de órgãos de controle sobre a natureza dos contratos

  • Repercussão no Congresso, especialmente entre bancadas que têm entre seus líderes nomes citados

  • Pressão por maior transparência em contratações de consultoria por instituições financeiras sob investigação

  • Para o leitor que acompanha os bastidores do poder, a lição é clara: em política, os números raramente falam sozinhos. O que importa é entender quem os movimenta, por que caminhos e com quais consequências para o jogo institucional.

    O que dizem as regras — e o que elas não dizem

    A legislação brasileira permite que ex-agentes públicos atuem na advocacia privada, inclusive prestando serviços a empresas reguladas. No entanto, há restrições temporais e temáticas: a Lei de Conflito de Interesses (Lei 12.813/2013) impõe quarentena de seis meses para ex-autoridades que queiram atuar em assuntos relacionados às pastas que ocuparam.

    No caso de Lewandowski, por exemplo, a transferência do contrato para o filho após sua nomeação para o Ministério da Justiça segue a letra da lei. Mas a percepção pública — elemento central na política — nem sempre acompanha a tecnicidade jurídica. E é nesse espaço entre o legal e o legítimo que se trava parte relevante do debate democrático.

    Próximos passos e o que observar

    A divulgação dos dados da Receita Federal tende a gerar novos desdobramentos:

     

    Documentos da Receita Federal acessados por O GLOBO revelam que o Banco Master, instituição financeira sob investigação, declarou ao menos R$ 41,7 milhões em pagamentos a políticos, ex-ministros e dirigentes partidários ao longo de 2025. Os repasses, registrados como consultorias jurídicas e institucionais, atingem nomes de peso do cenário nacional — como o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o presidente do União BrasilAntônio Rueda. A informação ganha relevância estratégica em um momento de transição política e escrutínio crescente sobre as relações entre poder econômico e influência institucional.

    “Atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país” — Antônio Rueda, em nota sobre contratos com o Banco Master

    Quem recebeu e quanto foi pago

Fonte: ALAN ALEX
PAINEL POLITICO (ALAN ALEX)

Alan Alex Benvindo de Carvalho, é jornalista brasileiro, atuou profissionalmente na Rádio Clube Cidade FM, Rede Rondovisão, Rede Record, TV Allamanda e SBT. Trabalhou como assessor de imprensa na SEDUC/RO foi reporte do Diário da Amazônia e Folha de Rondônia é atual editor do site www.painelpolitico.com. É escritor e roteirista de Programas de Rádio e Televisão. .