Barroso, um almofadinha no reino dos Datena e Ratinho, por Luis Nassif

20 de setembro de 2019 162

Os dois atos do Ministro Luis Roberto Barroso caem como uma luva no c.q.d. (Como queríamos demonstrar) da equação persistente que trago aqui, sobre sua personalidade e seu papel na implantação do regime de terror da Lava Jato, e da irresponsabilidade institucional em relação aos demais poderes da República.

A primeira, a decisão de atropelar a própria Procuradora Geral da República e autorizar a medida inútil de invasão da sala e dos computadores de um Senador da República, por suspeitas de crimes ocorridas em 2012. Isso em um momento em que forças de equilíbrio tentam evitar um embate maior, com a CPI da Lava Toga. Foi uma operação tão inútil, mal justificada e mal concebida, que os policiais não tinham a menor ideia sobre que equipamentos recolher, o que demonstra o caráter meramente intimidador da medida. É o almofadinha, escondendo-se atrás do policial, e exibindo os bíceps para os valentões, tipo bastante conhecido em brigas de torcida ou linchamentos em geral.

A segunda, sua explicação de que “só faço o que é certo, justo e legítimo”, similar a outras do gênero, como “eu sou bom”, “eu só faço o bem”, típica dos fariseus.

A diferença é que, a primeira vez que se apregoou como o emissário do bem, a verdadeira face de Barroso ainda era pouco conhecida. Foi tratada com um escorregão, um cochilo de uma pavão. Com a reincidência, se sabe, agora, que tornou-se padrão de quem perdeu definitivamente o senso do ridículo.

Hoje em dia, Barroso se tornou um personagem de bolha, no mundo feérico das redes sociais, incensado pelo populacho, pelo baixo clero do Ministério Público e do Judiciário, e pelo empresariado mais desinformado. Tornou-se um objeto de consumo no mercado da violência, como um Datena, um Ratinho, ou um desses YouTube vociferantes, mas com características únicas.

Nos velhos tempos da luta livre seria o almofadinha que entra no ringue de terno, cumprimenta com mesuras o juiz e o adversário, manda beijinho para a plateia, antes de iniciar o combate troca dois beijinhos com o adversário  e, no primeiro minuto, enfia o dedo no seu olho, para gáudio dos adoradores de sangue.

Na vida pública se tem disso: os que aspiram a história, o reconhecimento dos seus pares, e os que se comprazem de viver intensamente o momento e se tornarem ídolos populares.

Barroso é apenas isso.