Bolsonaristas têm surto coletivo nas redes após Twitter suspender perfil de Trump
Filhos, integrantes do governo, políticos e apoiadores de Jair Bolsonaro (Sem Partido) tiveram um surto coletivo nas redes sociais após o Twitter anunciar na noite desta sexta-feira (8) que suspendeu definitivamente a conta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A plataforma justificou a medida dizendo que, “após uma análise detalhada dos tuítes recentes da conta @realDonaldTrump e do contexto em torno deles – especificamente como estão sendo recebidos e interpretados dentro e fora do Twitter – suspendemos permanentemente a conta devido ao risco de mais incitação à violência”.
Defensores ferrenhos do liberalismo econômico, os bolsonaristas classificaram como “censura” a ação do Twitter, uma empresa privada, seguindo o tom ditado pelo guru, Olavo de Carvalho.
“Em MUITO BREVE, teremos a censura total e mundial. Já está chegando”, tuitou o astrólogo durante a madrugada deste sábado (9) em meio a incitação dos apoiadores contra o influenciador digital Felipe Neto.
Ainda pela manhã, Olavo já havia criticado Mark Zuckerberg por “censura” às contas de Trump. “O Fuckerberger não apenas veta as nossas opiniões, mas nos impõe as dele, em posts que não podemos remover. É censor e editor, livre de qualquer responsabilidade jurídica pelo que faz. É a ditadura dos bilionários cínicos ou não é?”, escreveu o guru, dando o norte aos seguidores.
Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que se encontrou com o guru no dia anterior durante sua viagem aos Estados Unidos, seguiu a linha e comparou Trump com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. “Um mundo em que Maduro tem redes sociais, mas Trump é suspenso não pode ser normal”, tuitou.
Também na rede, Eduardo Bolsonaro registrou aquela que deve ser uma de suas visitas à Casa Branca, onde não ter acesso tão fácil quando Joe Biden assumir a Presidência dos EUA.
“Prazer ser recebido na Casa Branca, ainda que rapidamente, por Jared Kushner, responsável por tantos acordos de paz no Oriente Médio”, escreveu Eduardo, dias após ser recebido pela filha de Trump, Ivanka, no mesmo local.
Direitos Humanos
Após relativizar a invasão ao Congresso dos EUA, repelindo o termo “fascistas” para ser referir aos invasores, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi às redes sociais e citou a Declaração Universal dos Direitos Humanos após a suspensação do perfil de Trump no Twitter.
“Artigo 19°: Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão”, escreveu o chanceler, dizendo que é “sempre bom reler” os princípios.
Assessor Especial para Assuntos Internacionais do Presidente Jair Bolsonaro, o olavista Filipe Martins afirmou que “no tribunal das grandes corporações não há critérios claros, respeito às leis locais ou garantia de devido processo legal. Se eles fazem isso com o presidente dos EUA, o que não farão contra cidadãos comuns e sem recursos de defesa?”, após a suspensão da conta de Trump.
Cobrado da posição do governo que diz ser a favor da “livre iniciativa do capitalismo em que empresas criam regras e seus usuários têm a opção de mudar de plataforma se não concordam com as condições”, Martins comparou o Twitter ao telefone, e-mail e correio.
“Essas empresas são isentas de responsabilidade judicial por serem percebidas como meios de comunicação, supostamente neutros, tal como o telefone, o e-mail e o correio. O problema é que cada vez mais elas se comportam como veículos editorais, e aí a coisa muda de figura”.