Bolsonaro aumenta o orçamento das Forças Armadas
Do Globo:
O Ministério da Defesa teve um aumento de gastos no governo de Jair Bolsonaro superior à evolução das despesas das pastas da Educação, Saúde, Agricultura e Relações Exteriores, que não sofreram alterações em suas estruturas nos últimos cinco anos, período usado para a comparação. Isto ocorreu porque, na atual gestão, os militares passaram a contar com mais recursos previstos no Orçamento da União, em uma proporção superior à verificada nos outros ministérios.
Promessa de campanha de Bolsonaro, o crescimento da importância das Forças Armadas no governo vem se mostrando não apenas numa maior fatia para a pasta da Defesa. O Exército, por exemplo, tem sido contratado para realizar obras importantes dos ministérios da Infraestrutura e Desenvolvimento Regional, o que amplia as verbas executadas pelos militares. Coube também ao vice-presidente e general da reserva Hamilton Mourão liderar o Conselho da Amazônia, área crucial para o governo e para as relações com o comércio exterior.
Em 2019, os valores efetivamente gastos pela Defesa — o que inclui Exército, Aeronáutica e Marinha — somaram R$ 96,9 bilhões, de um orçamento de R$ 107,9 bilhões. Isto equivale a 3,86% dos gastos públicos totais, segundo o portal da transparência do governo. Em 2016, o orçamento foi de R$ 82,2 bilhões, com despesas executadas de R$ 77 bilhões. Naquele ano, o valor correspondeu a 3,18% dos gastos públicos. O salto de 21,3% da Defesa dentro do total de gastos da União não se repetiu com educação, saúde, agricultura e diplomacia.
Esse espaço deve aumentar. Na semana passada, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, informou que já decidiu, em conjunto com Bolsonaro, elevar a previsão orçamentária para as Forças Armadas. Segundo Azevedo, o presidente já “validou” a nova Estratégia Nacional de Defesa, que será entregue ao Congresso na próxima semana. O documento prevê gastos públicos na ordem de 2% do PIB com a área militar.