Bolsonaro confirma intervenção na Ancine: ou adota “filtro”, ou será extinta

19 de julho de 2019 196

Jornal GGN – Depois de atacar o filme Bruna Surfistinha, Jair Bolsonaro anunciou oficialmente nesta sexta (19) uma intervenção na Ancine, a Agência Nacional de Cinema. O órgão federal será transferido para Brasília e ganhará “filtros” que agradem o presidente do ponto de vista moral e ideológico. Caso contrário, será extinta ou privatizada, porque Bolsonaro não quer dinheiro público financiando “pornografia”.

“A cultura vem para Brasília e vai ter um filtro sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode dinheiro público ser usado para fins pornográfico”, disparou Bolsonaro.

Segundo informações da Agência Brasil, ele ainda não sabe onde alojar a Ancine, mas pretende conversar com o Ministério da Cidadania, de Osmar Terra, sobre o tema.

No UOL, Tony Goes escreveu um artigo expondo a ignorância de Bolsonaro tanto em relação à Ancine, quanto em relação ao filme Bruna Surfistinha, um dos recordistas em bilheteria no Brasil, e que está mais para um drama do que para “pornografia”, como insinuou o presidente.

Para Goes, Bolsonaro ataca a Ancine porque quer “acenar a seus eleitores mais conservadores e religiosos”, mas ao fazer isso, prova que não sabe para que serve a Ancine.

“A Agência Nacional do Cinema foi criada em 2001, no vácuo da extinta Embrafilme. Não é, como Bolsonaro parece crer, uma empresa estatal destinada a produzir filmes que enalteçam os valores pátrios. É uma entidade voltada a fomentar um braço da economia: a indústria cinematográfica brasileira.”

 

“Inúmeras atividades econômicas recebem incentivos estatais, na indústria e na agricultura. O objetivo é criar empregos, fortalecer a produção nacional frente à concorrência estrangeira e até aumentar a arrecadação de impostos.”

Goes destacou no texto que “produzir cultura não é simples em nenhum país do mundo, mesmo nos mais avançados. É por isto que existem agências fomentadoras de atividades culturais na França, na Itália, na Alemanha e até mesmo nos Estados Unidos, a meca do presidente.”

O autor ainda frisou a “possibilidade” de Bolsonaro levar a Ancine para a Casa Civil, “provavelmente para se intrometer no processo de seleção dos projetos”. Com a declaração do presidente nesta sexta, sobre a criação subjetiva de “filtros”, ficou claro que a possibilidade virou realidade. Assim, Bolsonaro pratica o “ativismo de que tanto acusa com quem não comunga”.

“Muito mais acertada seria a transferência da Ancine e do Fundo Setorial para o ministério da Economia, como defende a classe cinematográfica e como já estava previsto na medida provisória que criou a agência”, defendeu Goes.

“Porque o negócio do audiovisual é coisa séria. Milhões de famílias brasileiras dependem dele. Filmes e programas de TV geram renda, trabalho e até o famoso “soft power” –o poder de influenciar corações e mentes, não-bélico, de que desfruta um país culturalmente forte.”

Leia o artigo completo de Tony Goes aqui.