Bolsonaro dirá nesta terça à ONU que seu governo, com 136 mil mortes até agora, "venceu" a pandemia

21 de setembro de 2020 57

247 - Em discurso gravado esta semana, Jair Bolsonaro defenderá nesta terça-feira (22), na abertura da Assembleia Geral da ONU, que o seu governo teve um desempenho satisfatório no combate ao coronavírus. Ele também dirá que ajudou milhares de pessoas fora do Brasil graças ao agronegócio nacional. O País é alvo de ameaças de boicote em sua economia devido ao desmatamento dos biomas. A informação foi publicada em reportagem da BBC

Brasil é a segunda nação do mundo com o maior número de mortes (136 mil) provocadas pelo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos (204 mil). Também ocupa a terceira posição em número de casos (4,5 milhões). As duas primeiras colocações são dos EUA (7 milhões) e Índia (5,5 milhões).

Bolsonaro tem dito que se tivesse continuado a fazer demarcações de terra indígena, a produção de alimentos não seria possível. "A ONU queria que nós passássemos de 14% para 20% de território demarcado. Falei-lhes: 'Não'. Nós não podemos sufocar aquilo que nós temos aqui que tem nos garantido a nossa segurança alimentar bem como a de mais de um bilhão de habitantes do mundo", disse ele na sexta-feira, 18, em Sinop (MT).

Durante o seu pronunciamento gravado para a ONU, Bolsonaro deve afirmar que a economia brasileira seguiu em funcionamento nesta pandemia e as perspectivas de recessão do país não são tão graves quanto as de outras nações emergentes. Neste contexto, ele vai destacar a sua resistência em determinar a paralisação das atividades econômicas e o auxílio-emergencial de R$ 600 mensais recebido por mais de 60 milhões de brasileiros como alternativas para a economia. 

"Bolsonaro vai defender sua atuação na pandemia e sugerir que as críticas a ela eram mera perseguição política", disse a professora de relações internacionais Elaini da Silva, da PUC-SP.

"Eu apostaria em uma atitude mais defensiva e menos virulenta. Digamos que um repeteco com menos brilho até porque ninguém deve dar muita importância ao discurso dele", afirmou o embaixador Paulo Roberto de Almeida.