Bolsonaro diz que alta de 39% no preço do gás natural é “inadmissível”

7 de abril de 2021 40

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) classificou, nesta quarta-feira (7/4), como “inadmissível” o reajuste anunciado pela Petrobras de 39% no preço de venda de gás natural para as distribuidoras.

A declaração foi feita durante cerimônia de posse do novo diretor-geral da Itaipu Binacional. Agora ex-titular da empresa, o general Joaquim Silva e Luna vai presidir a Petrobras.

“É inadmissível se anunciar agora, o velho presidente ainda [Roberto Castello Branco], um reajuste de 39% no gás. É inadmissível. Que contratos são esses? Que acordos foram esses? Foram feitos pensando no Brasil? Num período de três meses?”, perguntou.

O presidente apressou-se em dizer que não iria interferir no assunto. “Não vou interferir. A imprensa vai dizer o contrário, mas podemos mudar essa política de preços lá”, declarou Bolsonaro.

De acordo com o anúncio da estatal, o reajuste de 39% entrará em vigência a partir de 1º de maio. O gás natural é usado em residências para aquecimento de chuveiros e acendimento de fogões, por exemplo.

Explicação

Em nota, a estatal esclareceu que a variação decorre da aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, que vinculam o preço à cotação do petróleo e à taxa de câmbio.

As atualizações do preço dos contratos são trimestrais, segundo a Petrobras. Para os meses de maio, junho e julho, a referência é o valor dos meses de janeiro, fevereiro e março.

“Durante esse período, o petróleo teve alta de 38%, seguindo a tendência de alta das commodities globais. Além disso, os preços domésticos das commodities tiveram alta devido à desvalorização do real”, afirmou a estatal.

Em 2020, o preço do gás natural chegou a ter redução acumulada de 35% em reais e de 48% em dólares, devido ao efeito da queda dos preços do petróleo no início do ano.

Por fim, a Petrobras esclareceu que o preço final do gás natural ao consumidor não é determinado apenas pelo valor de venda da companhia, mas também pelas margens das distribuidoras e pelos tributos federais e estaduais.

 

Fonte: METRÓPOLES/Mayara Oliveira