Bolsonaro pode dar embaixada a ministro para ter vaga no STF, diz Elio Gaspari
Da Coluna de Elio Gaspari na Folha de S.Paulo.
Em novembro, o ministro Celso de Mello deixará o Supremo Tribunal Federal e, em junho do ano que vem, será a vez de Marco Aurélio. Assim, o calendário dará a Jair Bolsonaro o direito de preencher duas vagas na corte.
Até agora, a corrida pelos lugares tem ofendido as regras do esporte. Primeiro porque o presidente criou a qualificação de “terrivelmente evangélico” para o preenchimento de um cargo laico. Depois, pelas atividades de André Mendonça, atual ministro da Justiça. Em poucos meses, sua pasta meteu-se em ações tão espetaculares quanto ridículas, processando chargistas e intimando supermercados para justificar o preço do arroz.
A escolha dos ministros do Supremo compete ao presidente, e os candidatos têm o direito de se comportar como bem entendem. Poderiam acreditar nos próprios currículos, mas tentam lustrá-los.
A novidade está no aparecimento da teoria da “terceira vaga”. Pelas regras do jogo, a próxima vaga no STF só surgirá em maio de 2023, quando Ricardo Lewandowski completa 75 anos. A “terceira vaga” surgiria se oferecendo uma embaixada a algum titular do tribunal.
É coisa feia, nem tanto para quem oferece, mas para quem a aceita.
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PS: O ministro que trocar a vaga vitalícia por um cargo que depende da caneta de Bolsonaro faz um mau negócio. Moro deixou a toga e se deu mal. Regina Duarte rescindiu contrato com a Globo e ficou pouquíssimo tempo no governo. A menos que, nesses casos e também no do STF, haja algo maior que a nomeação para um cargo de confiança de Bolsonaro. Pode ser. Como sugere a propaganda, o Posto Ipiranga tem tudo.