BOLSONARO SE CALA SOBRE 80 TIROS E TRAGÉDIA NO RJ MAS, SE SOLIDARIZA COM GENTILI.

12 de abril de 2019 123

O Brasil, não só pela política, mas, como civilização, talvez, tenha chegado ao fundo do poço humano. Não pelas balelas que a mídia diz sobre a tragédia climática no Rio de Janeiro, cuja administração local e nacional têm sua parcela de culpa mas, não toda, nem somente pela estupidez de um exército incapaz de reconhecer cidadãos aos quais deveria proteger e não zombar de sua morte. Sim, chegamos ao fundo do poço civilizatório quando o Presidente da República, eleito pela maioria da população, por uma histeria coletiva e mídia, é um ser tão abjeto que foi incapaz de se solidarizar com a família do músico assassinado com 80 tiros pelo exército, nem com os mortos de uma das tempestades mais fortes dos últimos 50 anos, no Rio de Janeiro e se solidarizar com uma pessoa que usa de difamação, calúnia e ódio, como matéria prima de sua graça.

Bolsonaro é o símbolo do que pode haver de pior em um ser humano. É cruel, é personalista, é desumano, não tem apreço pela vida humana, defende a tortura, despesa os direitos humanos, deseja a morte de adversários aos quais chama de inimigo e, pior, defende o genocídio de milhares de pessoas em detrimento a uma suposta guerra civil de purificação nacional, como fez em entrevista, cujo vídeo circula fartamente na Internet.

Como um presidente eleito, ao qual usou os piores sentimentos de medo, ódio e desprezo, despertados na população para vencer as eleições, poderia se solidarizar com a dor de outros?

Mas, há uma explicação plausível para esse comportamento. A psicologia e a neurociência classificam um tipo de personalidade chamada de empata, como aquela em que o sujeito é capaz de sentir a dor alheia. Ou seja, sente empatia, sofre e compadece ao ver qualquer tipo de sofrimento, gerando, inclusive, a replicação do sentimento de dor nessas pessoas. O contrário do empata, não necessariamente seria um psicopata mas, pessoas frias e chamadas de calculistas. Bolsonaro é a antítese da empatia, mas, de certo modo, não chega a ser calculista, dado que se atrapalha com “números complexos”. Resta a opção da psicopatia, opção já levantada pelo exército quando foi excluído do quadro militar.

Seu clã segue o mesmo apreço pela arma, a truculência e o desrespeito como forma de condução das relações interpessoais, quando não se trata de seus familiares. Tudo isso cabe no discurso ridículo de preservação da família tradicional, ao qual se admite tudo, desde que seja do seu clã. Aos outros, a lei, a letra fria e o ódio.

O mais interessante é que Danilo Gentili, normalmente categorizado como de comportamento idêntico ao dos bolsonaristas, desprezou a solidariedade de Bolsonaro. Irônico que os iguais não se reconheçam como tal. Aqui, talvez, valha a lógica do “dois bicudos não se beijam”.

A reação do Jair e “Bolsonaros” é a síntese do quão errado caminhamos e de como estamos no caminho certeiro para o abismo civilizacional. Triste!

Fábio St Rios

Estudou Ciência da Computação, Engenharia Metalúrgica na UFF, Engenheiro de Software, Desenvolvedor, Programador, Hacketivista e Estudante de História na UniRio.