Bolsonaro se incomoda com papel de militares como “bombeiros” de crises
De Jussara Soares no Estado de S.Paulo.
Embora recorra com cada vez mais frequência a integrantes das Forças Armadas, o presidente Jair Bolsonaro, influenciado pelos filhos, demonstra incômodo com o destaque obtido por ministros militares apontados como “tutores” e “bombeiros” de um governo que acumula crises. Para Bolsonaro, os auxiliares fardados ficam com os louros do que considera “aspectos positivos” de sua gestão, enquanto que ele e auxiliares civis afinados com o discurso ideológico são atacados.
Bolsonaro, segundo apurou o Estadão, chegou a cobrar ministros para que se manifestassem publicamente contra reportagens que citam críticas de militares, de modo reservado, a ele e também como um contraponto aos filhos.
Atualmente, três generais têm assento no Palácio do Planalto. São os ministros da Casa Civil, Walter Braga Netto, da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. O trio atuou tentando contornar as crises envolvendo os ex-ministros da Justiça Sérgio Moro e da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, que deixou a pasta anteontem.
Na terça-feira, o trio de ministros militares prestou depoimento no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a acusação de Moro de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. Moro afirmou que os três se dispuseram a conversar com o presidente para tentar encontrar um consenso sobre a substituição de Maurício Valeixo no comando da corporação.
De acordo com pessoas próximas ao presidente, as crises foram usadas para ver reações e posicionamentos de seus auxiliares oriundos das Forças Armadas. Segundo relatos, existe um trabalho de cruzamento do que sai na imprensa e as movimentações internas em uma tentativa de rastrear as fontes.
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