Bolsonaro se recusa a demitir assessor apontado como fabricante de fake news

13 de julho de 2020 74

Da coluna de Josias de Souza no UOL:

Ao desconectar 88 páginas e contas bolsonaristas, o Facebook ressuscitou no Planalto um debate incômodo. Envolve Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial de Jair Bolsonaro para assuntos de ódio e desinformação.

No final do ano passado, auxiliares do presidente o aconselharam a exonerar Tércio, que havia se transformado em matéria-prima para a CPI das fake news. Bolsonaro deu de ombros. Voltou a ser alertado na sexta-feira. E nada. Parlamentar governista com assento na CPI avisou ao Planalto que será difícil evitar um depoimento de Tércio à comissão. Avaliou que seria melhor se fosse como ex-assessor. Foi informado de que Bolsonaro resiste.

Devolvido às manchetes pelo Facebook como um dos operadores da rede bolsonarista de “comportamento inautêntico coordenado”, Tércio deixou o enredo de Bolsonaro sem nexo. Em setembro do ano passado, quando Tércio ganhou o noticiário como operador do “gabinete do ódio”, Bolsonaro declarou que a imprensa “deturpa tudo”. Criticou a “falta de patriotismo” da mídia. E tratou a industrialização da raiva como invenção: “O que é isso? Como inventam esse negócio? Pelo amor de Deus!”.