Brasil é o único país do mundo em que há carreatas pró-pandemia, diz Eliane Cantanhêde
Da Coluna de Eliane Cantanhêde no Estado de S.Paulo.
Só num país, entre os mais de 190 existentes no mundo, pessoas fazem carreata contra o isolamento social, riem do coronavírus, desdenham da doença e da morte ou dançam na rua com uma imitação de caixão em plena pandemia. Não há registro de algo tão macabro nos Estados Unidos, Itália, Espanha, França, Alemanha, Canadá, Argentina, Coreia do Sul…
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Com mais de meio milhão de casos oficiais de coronavírus e perto de cem mil mortes no planeta, já imaginaram Trump e Macron misturados com pessoas na rua ou num aeródromo? E que tal Merkel e Trudeau confraternizando displicentemente com manifestantes contra a Suprema Corte e o Congresso?
Bem, com o mandatário do Brasil o mundo todo já está acostumado. O que não tem explicação e a compreensão geral não alcança é por que pessoas com razoável escolaridade se metem em carrões, caminhonetes e motocicletas para protestar contra o isolamento e exigir que os trabalhadores enfrentem o coronavírus, cara a cara.
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Não parece tão complicado de compreender, de tão lógico, o que reforça a dúvida, ou angústia: por que pessoas fazem carreata contra o isolamento e dancinha nas ruas em plena pandemia? Por ideologia, teimosia, fanatismo, perversidade? Por desdém pelas maiores vítimas em todas as circunstâncias, os mais pobres, os “invisíveis”?
Sinceramente, essa é a direita brasileira? Fanática, terraplanista, que desdenha de uma pandemia, brinca com a morte de entes queridos alheios, luta contra a realidade e reverencia mitos sem usar de senso crítico, racionalidade, humanidade? Não pode ser verdade.
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PS: Mais uma vez, cabe a pergunta do ator José de Abreu, dirigida a Eliane Cantanhêde: “Posso saber em quem a senhora votou no 2o turno?”