Câmara Municipal Do Rio Está Sob Investigação No Caso Marielle
Desde o início das investigações da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, pelo menos seis parlamentares da Câmara Municipal já prestaram depoimento sobre o caso na Delegacia de Homicídios (DH) do Rio), na Barra da Tijuca. Parte dos parlamentares é do mesmo grupo político de Marielle e foram chamados para ajudar nas investigações, mas outros, segundo informações da especializada, são adversários políticos da vítima. Pelo menos dois deles foram citados na CPI das Milícias ou em relatório da Polícia Civil sobre a influência de milicianos nas eleições do Rio.
Todos são considerados testemunhas, pelo menos por enquanto. Na Câmara, a expectativa é que outros parlamentares sejam convocados pela Polícia Civil nos próximos dias. Nesta sexta-feira, prestaram depoimentos Jair da Mendes Gomes(PMN) e Marcello Siciliano (PHS).
O vereador do PHS — citado em relatório da Polícia Civil sobre a influência da milícia em Jacarepaguá, nas eleições de 2014 — chegou à delegacia por volta das 16h e saiu três horas depois. Ele não quis dar detalhes de seu depoimento e disse que as investigações estão sob sigilo. Jair da Mendes Gomes chegou à delegacia por volta de meio-dia e saiu sem ser visto pela imprensa.
— Fui convocado a vir aqui prestar esclarecimentos para poder ajudar na linha de investigação que eles tomaram. Todos os vereadores foram chamados a vir aqui. Estou à disposição. A Marielle era uma pessoa da qual eu gostava muito. Sinto muito a perda dele e torço para que esse caso seja esclarecido — afirmou Siciliano.
Ele negou qualquer divergência política ou ideológica com Marielle:
Como acabei de falar, ela é uma grande amiga minha — declarou.
O depoimento acontece um dia após outro parlamentar do PHS, Zico Bacana, ter sido ouvido por mais de três horas na DH. O parlamentar disse que conhecia a vereadora da Câmara, e afirmou que não se recordava da atuação dela durante a CPI das Milícias, em que ele foi citado. Zico afirmou ainda que se sente “triste com as dificuldades de investigação” e afirmou que está “firme e forte” para se defender e mostrar que não tem “nada a ver com esse problema”.
— Eu acredito no poder de Deus. Que seja elucidado isso aí, que o que aconteceu com ela foi uma fatalidade e muita gente está sendo acusada. Com certeza todos nós (vereadores) temos que ser investigados, como cada cidadão que compareceu naquele local no dia do crime. Ou o cotidiano da vida dela (deve ser investigado).