Candidatos a governador, não sejam burros: livrem-se da carga

6 de agosto de 2026 20

Até que os cidadãos compareçam às urnas, todos os candidatos têm possibilidade de se eleger. Porque aviões podem cair, como o de Eduardo Campos. Vencedores podem ser assassinados, como Olavo Pires. Um órgão do corpo pode parar de funcionar. Quando esse órgão é o coração, menos mal: outro nome preenche a vaga deixada. O problema é quando esse órgão é o cérebro, que não para totalmente, mas deixa de funcionar como deveria.
É isso que se vê nos candidatos a governador de Rondônia: um contínuo acúmulo de falhas comportamentais, decisões erradas, alianças contraproducentes e dissonâncias afetivas e cognitivas. Às vezes o discurso pode até vir pontuado por frases como “aprendi com os erros”. Só que apenas aprendeu a reconhecer que errou, mas não aprendeu a não incorrer em novos erros.

MARCOS ROGÉRIO

O senador em final de mandato aposta as fichas em sua eleição para o governo, dessa forma arriscando-se a, caso perca, ficar pelo menos dois anos sem mandato e ter que buscar uma eleição municipal em Ji-Paraná. Mas o que atrapalha Marcos Rogério atualmente? Sua incapacidade de selecionar equipe. E aí não se trata apenas de escolher pessoas, mas de saber colocá-las em funções nas quais não atrapalhem sua campanha.
Pessoas que não sabem se relacionar com a imprensa, que não sabem valorar trajetórias profissionais de jornalistas, que aprenderam apenas a dar “bom dia” e “boa tarde” com gentileza e sorriso androide de comissários de bordo, não podem ser colocadas em posição de interface com comunicadores. Também quem já se notabilizou por atuar em esquemas de extorsão ou concussão não deve ter seu nome agregado à campanha. A presunção do “já ganhou” já pôs a perder muitas campanhas.

SAMUEL COSTA

Com um discurso bem construído e adaptado aos dias atuais, Samuel Costa une dois pontos fundamentais: a capacidade técnica, com respostas precisas aos questionamentos que lhe fazem, e a identificação com os problemas sociais. Essa empatia é fundamental. O candidato tem que saber demonstrar que foi capaz de resolver sua própria vida – casamento estável, bom relacionamento com os pais, formação superior, conquistas econômicas razoáveis – e que está disposto a trabalhar pelo bem da coletividade.
Entretanto, as alianças para coligações devem ser olhadas com toda a atenção. Agregar a sua candidatura siglas que se consagraram como puxadinhos do PT em uma eleição que todos sabem que em Rondônia tenderá para a direita não seria nada inteligente de sua parte. Assim, deve o candidato estar atento para não ser movido por uma espécie de articulismo obsessivo-compulsivo, que leva a acreditar que alianças e coligações são sempre benéficas. Procurar livrar-se da esquerdalha inconsequente é o mínimo que se recomenda.

HILDON CHAVES

Com um discurso evasivo, dissociado de propósito e sem dizer muita coisa que se aproveite, Hildon Chaves, de todos os candidatos, é o que mais parece estar sendo vítima de más escolhas para assessorá-lo. Cercado de personagens com triste passagem pela mídia governamental confuciana, Hildon não consegue reeditar o espírito de inovação e mudança que o caracterizou quando se lançou a prefeito de Porto Velho de 2016.
Os que lhe deveriam avivar a imagem alheiam-se ante seu esmaecimento. O Hildon de hoje é uma fotocópia apagada e amarelada do que foi há apenas dez anos atrás. Sua fisionomia e discurso fazem dessa década um século. Traumatizado pelos erros a que foi levado em sua subserviência a Expedito Júnior e por amizades das quais sabe-se lá por que motivos custou a desvencilhar-se, como a do advogado Bruno Chaihara, Hildon corre pelas beiradas, mas beiradas de um abismo cavado por seus próprios assessores.

PEDRO ABIB

Versão masculina 2026 do que foi Euma Tourinho em 2024, Pedro Abib é a mais clara demonstração do quanto Confúcio Moura é maléfico ao próprio MDB. Quando o partido teria tudo para lançar um nome que se sobrepusesse à polarização e mostrasse um caminho de centro, união e superação, Confúcio, olhando apenas para seu umbigo e no desejo de agradar o PT, impôs ao MDB uma candidatura a governo que é a mais legítima expressão do que a teologia da libertação pode fazer no cérebro de uma pessoa, alienando sua formação acadêmica e aniquilando sua capacidade de diálogo e interação.
E no culto à miséria que caracteriza a teologia da libertação, com peregrinações de motorhome e outras ações características da opção preferencial pela miséria, como o aproveitamento de funcionários públicos como se esses entendessem alguma coisa de marketing, dispôs a desfilar com uma cuia de chimarrão na mão, como se estivesse a caminho do CTG mais próximo e não de um encontro com o povo rondoniense, com sua identidade e realidade. Padre Kelmon performaria melhor.

ADAÍLTON FÚRIA

O uso de apelidos em cargos menores quase sempre representou um empecilho na busca de voos mais altos. Porque há inegável incongruência entre a liturgia do cargo de comando e o apelido jocoso adotado. Por outro lado, o cargo de governador já se mostrou alcançável por “Ratinho” e “Garotinho”. E isso talvez o encoraje a buscar ser o primeiro governador de Rondônia com nome engraçadinho. Enfim, a sorte está lançado.
O dilema maior de Adaílton é saber se livrar das amarras sem perder os movimentos. Como se sabe, marionetes não têm movimentos próprios. Assim, para continuar sendo manuseado, mas sem as cordas visíveis ao público, sua única saída, para não cair na imobilidade, seria assumir um outro tipo de boneco: o boneco de luva, ou fantoche. Em que o manipulador lhe dá vida introduzindo-se por seu orifício inferior.

EXPEDITO NETTO

Diferentemente dos demais candidatos, que devem procurar se desvencilhar de alguma coisa, no caso de Expedito Netto é o partido que precisa desvencilhar-se dele. Expedito Netto como candidato a governador é a mais legítima expressão do declínio do PT, de sua degradação, de suja traição ao nascedouro nas comunidades eclesiais de base. E de sua mais evidente carência de quadros em Rondônia. Um partido que já ocupou por duas vezes a prefeitura da capital com Roberto Sobrinho, que já se destacou com uma senadora.
É a isso que se reduziu o PT em Rondônia? Não. Ele tende a se reduzir ainda mais. Só restarão em torno da sigla aqueles que se sujeitam ao mais vil fisiologismo, à comercialização da alma em troca de cargos de assessoria, à desfaçatez de afirmar que seguem no mesmo caminho. Ou, em casos mais graves, a afirmarem que Lula é inocente.

Fonte: AOR OLIVEIRA
O QUE DA NOTICIA (AOR OLIVEIRA)