Cão Orelha: polícia pede internação de adolescente e indicia adultos

4 de fevereiro de 2026 29

A investigação sobre a morte do cão Orelha foi concluída pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) nesta terça-feira (3/2). De acordo com o inquérito, ficou comprovado que o crime, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis, teve envolvimento de adolescentes. A polícia pediu a internação de um dos jovens e indiciou três adultos por coação a testemunha.

As investigações sobre as agressões contra o cão Caramelo também foram finalizadas. Quatro adolescentes foram representados no caso.

Por envolver menores de idade, o processo tramita em segredo de Justiça, segundo informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

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Orelha morreu após ser vítima de maus-tratos em Santa Catarina

Adolescentes investigados pela morte de cão Orelha serão ouvidos na próxima semana

Orelha morava em Praia Brava

Orelha morreu após ser espancado

Ao todo, a Polícia Civil ouviu 24 testemunhas e investigou oito adolescentes. Entre as provas reunidas estão roupas usadas pelo autor no dia do crime, identificadas em imagens de câmeras de segurança.

Para identificar o responsável pelas agressões que levaram à morte de Orelha, os investigadores analisaram mais de mil horas de gravações de 14 equipamentos instalados na região. Um software francês, utilizado pela corporação, também ajudou a confirmar a localização do adolescente no momento do ataque.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), seguindo os parâmetros do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O inquérito foi concluído após o depoimento do autor, ouvido nesta semana.

Os procedimentos policias dos casos Orelha e Caramelo foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário.

Diante da gravidade das agressões, a Polícia Civil solicitou a internação do adolescente apontado como autor da morte de Orelha — medida equivalente à prisão no sistema socioeducativo.

Contradição no depoimento

Segundo a Polícia Civil, o adolescente saiu do condomínio onde morava, na Praia Brava, às 5h25 do dia do crime. Às 5h58, ele retornou ao local acompanhado de uma amiga.

Em depoimento, o jovem afirmou que permaneceu dentro do condomínio, na área da piscina, durante todo o período. A versão foi desmentida por imagens e por testemunhas.

De acordo com a corporação, ele desconhecia que a polícia já tinha acesso às gravações.

Tentativa de obstrução

No mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos, o adolescente deixou o Brasil e permaneceu no exterior até 29 de janeiro. No retorno, foi abordado por agentes ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Florianópolis.

Durante a investigação, um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom usados no dia do crime. O familiar alegou que a peça havia sido comprada durante a viagem, versão posteriormente desmentida pelo próprio adolescente, que admitiu já possuir o moletom antes.

Caso Orelha

Orelha foi visto com vida pela última vez no dia 4 de janeiro. Ele era um cão comunitário, cuidado por moradores e comerciantes da Praia Brava, onde vivia há pelo menos dez anos. O animal circulava pelo bairro, acompanhava pescarias, frequentava festas e fazia parte da rotina local, sendo conhecido por posar para fotos com moradores e turistas.

O cão foi encontrado por uma moradora agonizando embaixo de um carro. Ele apresentava lesões na cabeça e no olho esquerdo, além de estar desidratado e sem reflexos. Orelha chegou a receber tratamento com soroterapia, mas morreu pouco tempo depois.

No dia 26 de janeiro, dois adolescentes e um adulto foram alvos de mandados de busca e apreensão. Na mesma data, um advogado e dois empresários foram indiciados por suspeita de coação de testemunha no curso do processo.

Já no dia 28 de janeiro, outros dois adolescentes tiveram os celulares apreendidos ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis, após o cumprimento de novos mandados de busca.

Fonte: MADU TOLEDO