Caso Americanas: filho de Lemann e Beto Sicupira são alvos de nova operação da PF
Os empresários Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Lemann, e Carlos Alberto Veiga Sicupira estão entre os alvos de mandados de busca e apreensão no âmbito da operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira, 25, que investiga uma suposta fraude contábil da ordem de R$ 54 bilhões na varejista Americanas, que está atualmente em recuperação judicial, segundo a agência Reuters.
Uma das fontes acrescentou que executivos atuais ou com passagem pelos bancos Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco também sofreram buscas no âmbito da operação.
Em nota, sem citar nominalmente alvos da operação, a PF disse que cumpre mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo buscas pessoais, e que a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
“Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, disse a PF no comunicado.
“As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa”, acrescentou.
Quem são Paulo Alberto Lemann e Beto Sicupira

Carlos Alberto Sicupira, sócio das Americanas (Crédito: 3G Capital/ Divulgação)
Paulo Alberto é filho de Jorge Paulo Lemann, cuja família figura entre uma das mais ricas do Brasil, segundo a lista divulgada pela revista Forbes.
Carlos Alberto Veiga Sicupira, também conhecido como Beto Sucupira, é o 6º homem mais rico do Brasil segundo o ranking de 2025 da Forbes.
Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, ao lado de Marcel Telles, são os acionistas de referência da Americanas, que está atualmente em recuperação judicial. Paulo Alberto Lemann fez parte do conselho de administração da varejista, mas deixou a empresa em 2024 em meio a uma reestruturação após a recuperação judicial da companhia.
Outro lado
Em nota à imprensa, os acionistas de referência da Americanas disseram que foram surpreendidos com a operação da PF e que as investigações indicam que eles foram “continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”.
“Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis”, afirmaram.
“Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar”, ressaltaram.
O Itaú Unibanco afirmou em nota que, embora não seja investigado, colabora ativamente com as autoridades, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. “O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços”, afirmou.
O Santander disse que “está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações. A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações”.
O Bradesco afirmou que acompanha a situação e está à disposição das autoridades.
O que diz as Americanas
Em nota, a Americanas disse não ter sido alvo da operação desta quinta e afirmou ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos.
“Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, disse uma nota.
A operação desta quinta é a segunda etapa da Operação Disclosure, cuja primeira fase ocorreu em junho de 2024, após a revelação da fraude contábil que levou a Americanas à recuperação judicial, e permitiu um aprofundamento das linhas de investigação iniciais.
Segundo as apurações, conforme uma das fontes, os fatos teriam ocorrido ao longo de vários anos e envolveriam supostas manipulações contábeis destinadas a ocultar a real situação econômico-financeira da empresa. As medidas cautelares têm por objetivo aprofundar a coleta de provas, individualizar as responsabilidades e preservar a possibilidade de reparação de eventuais prejuízos decorrentes dos fatos investigados.
A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023 após a descoberta de um rombo contábil de R$ 20 bilhões, referente a exercícios anteriores – incluindo o ano de 2022, com dívidas no valor aproximado de R$ 40 bilhões.