Caso Flávio Bolsonaro-PF: Queiroz ganhou “mamadeira com Nescau” quando foi demitido

18 de maio de 2020 86

Da coluna de Thaís Oyama no UOL:

Uma semana depois de os Bolsonaro receberem o recado de um delegado da Polícia Federal de que o nome de Fabrício Queiroz iria surgir no escândalo da “rachadinha”, o assessor de Flávio Bolsonaro e amigo de mais de trinta anos de Jair Bolsonaro foi exonerado de suas funções no gabinete de Flávio, então deputado estadual no Rio.

Mas não foi deixado ao léu. O aviso do delegado amigo chegou aos Bolsonaro uma semana depois do primeiro turno, em 7 de outubro de 2018. Dois meses depois, quando o jornal O Estado de S. Paulo trouxe o caso à luz, Jair Bolsonaro pediu a Gustavo Bebianno, então seu homem de confiança e futuro ministro, que cuidasse do problema.(…)

Queiroz, inicialmente, estava assustado. Para acalmá-lo, o entorno de Bolsonaro passou a dar-lhe “colo, carinho e tratamento à base de mamadeira com Nescau”, nas palavras de um dos advogados envolvidos na operação. Este advogado disse não saber se o trato com Queiroz envolveu dinheiro. Até onde foi informado, a “mamadeira” incluía unicamente promessas de “não abandono” e de assistência jurídica.

 

Assim, logo depois da reunião entre Flávio e os advogados Pitombo e Fragoso, o advogado Victor Alves, amigo de Flávio e até hoje funcionário de seu gabinete, levou Queiroz para conhecer Ralph Hage Vianna no suntuoso escritório Fragoso, no centro do Rio. A ideia era impressionar o assessor e mostrar que ele estaria “bem cuidado”. Deu certo. Queiroz saiu de lá dizendo que o escritório era um “espetáculo”, lembra Paulo Marinho. “Rapaz, é mármore por todo canto!”, comentou.