Caso Marielle: Esposa de Lessa é presa em seu novo endereço, ao lado da casa de Bolsonaro
Pessoas ligados ao sargento reformado da PM Ronnie Lessa são alvos de cinco mandados de prisão na manhã desta quinta-feira (3) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Lessa é acusado de ser o assassino da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
Um dos mandados é endereçado a ele, que já está preso. Os outros são para a mulher de Lessa, Elaine de Figueiredo Lessa, e o irmão dela, Bruno Figueiredo, além de dois supostos cúmplices do policial: Márcio Montavano, o “Márcio Gordo” e Josinaldo Freitas, o “Di Jaca”. As acusações são de obstrução de justiça, porte de arma e associação criminosa.
A coordenadora do Gaeco, Simone Sibílio, comandou a busca e apreensão no alvo principal: a mulher de Lessa. Ela mora numa casa no condomínio Vivendas da Barra, no número 3.200 na Avenida Sernambetiba, na Barra da Tijuca, ao lado de onde ela vivia antes com o marido.
A residência para onde Elaine se mudou, há cerca de três meses, é ao lado de onde fica a casa do presidente Jair Bolsonaro. No novo endereço, só há casas. A dela é de número 57. O síndico do condomínio não quis se identificar, mas disse que já sabia que ela era “a mulher do homem que matou Marielle”. A residência de Elaine ocupa apenas um andar, mas é de alto padrão.
As buscas na casa da mulher de Lessa começaram às 5h40m e ainda não terminaram. Os policiais estão revistando o local em busca de documentos e armas, pois Elaine tem CR de colecionadora de armas e, segundo investigadores, também atira.
Segundo a Polícia Civil, o grupo teria ocultado armas usadas pelo grupo de Ronnie, entre elas a submetralhadora HK MP5, que teria sido usada para matar Marielle e Anderson.
De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios (DH) da capital, em março deste ano, dois dias depois das prisões de Ronnie e do ex-policial Élcio de Queiroz, outro acusado de matar Marielle e Anderson, o grupo teria jogado as armas no mar. Sob o comando de Elaine Lessa, conforme a polícia, o armamento foi descartado próximo às ilhas Tijucas, na altura da Barra da Tijuca.
Para a DH, Montavano tirou uma caixa com armas de um apartamento no bairro da Pechincha, na zona oeste do Rio, levou-a até Freitas, que havia contratado o serviço de um taxista para transportá-la até o Quebra-Mar, de onde saiu o barco que levou o material até o oceano.
Já Bruno Figueiredo é acusado de ajudar Montavano na execução do plano. Com o auxílio de mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Marinha, foram realizadas buscas no local, mas nada foi encontrado. A profundidade e as águas muito turvas dificultaram o trabalho, segundo a Polícia Civil.
A operação, chamada de “Submersus”, ainda cumpre 20 mandados de busca e apreensão.