Caso que atinge Fábio Luís deve tramitar na 1ª instância, defende PGR

20 de agosto de 2026 22

247 – A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal que o inquérito que atinge Fábio Luís Lula da Silva seja remetido à primeira instância da Justiça. O órgão sustenta que o caso não envolve pessoas com foro privilegiado, o que retiraria a competência do STF para conduzir a apuração. A informação foi publicada pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo

A decisão sobre o destino do inquérito caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.

Filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís é investigado por suposto envolvimento em uma articulação de lobby relacionada à tentativa de venda de um projeto de canabidiol ao Ministério da Saúde. A lobista Roberta Luchsinger teria atuado nas tratativas e mencionado o nome de Fábio Luís em conversas analisadas pela Polícia Federal.

Roberta é descrita como amiga pessoal de Fábio. Ela também seria sócia de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, no projeto de cannabis medicinal. O negócio, porém, não foi fechado.

De acordo com os elementos reunidos pela PF, Roberta buscava uma remuneração de 20% no projeto que tentava viabilizar junto ao governo Lula. Em uma das mensagens acessadas pelos investigadores, ela afirmou: “Eu sou o Fábio”.

A lobista chegou a se aproximar de Marco Aurélio Santana, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Ela teria comprado joias e feito pagamentos a ele que somariam R$ 249 mil. Após o início das investigações, Marcola afirmou ter devolvido os valores.

A apuração também aponta que Roberta se reuniu com autoridades do Ministério da Saúde. Mensagens analisadas pela PF indicam insatisfação dela e de Lulinha com o andamento das conversas dentro do governo.

Trechos revelados inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmados pela Folha mencionam ainda a atuação do advogado Otto Medeiros, com influência em Brasília. Em conversas de 2024, Roberta disse a um ex-assessor parlamentar que tentaria atuar no contrato de cannabis medicinal com Otto.

Nas mensagens, ela afirmou que Otto seria “sócio do Cassio (sic)”, em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF. As conversas citadas pela reportagem, no entanto, não indicam atuação do magistrado no caso.

Kassio Nunes Marques negou qualquer relação societária com Otto Medeiros. Em nota, afirmou que “não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento”. O ministro disse ainda que mantém amizade com o advogado, mas se declara impedido nos processos em que Otto atua no Supremo.

Fonte: BRASIL 247