China define meta de crescimento entre 4,5% e 5% para 2026, a mais baixa desde a década de 1990
A China definiu a meta de crescimento anual mais baixa em décadas, e vai aumentar seus gastos com defesa, segundo relatórios apresentados nesta quinta-feira, 5.
Para 2026, a China prevê um crescimento entre 4,5% e 5%, segundo um relatório de trabalho das autoridades chinesas, a mais baixa desde os anos 1990, enquanto para 2025 a meta era de cerca de 5%.
O governo da China reconheceu desafios como o consumo interno moderado, o investimento desaquecido e a debilidade do setor imobiliário. Se o resultado ficar abaixo de 5% em 2026, será o desempenho anual mais fraco em mais de três décadas, sem contar o período da pandemia de covid-19.
Milhares de parlamentares e líderes do gigante asiático se reúnem nesta semana em Pequim para um encontro em que o governo vai apresentar seus planos para enfrentar o consumo estagnado e o enfraquecimento do mercado imobiliário.
Segundo os líderes chineses, o modelo econômico deve se distanciar dos motores tradicionais, como as exportações e a manufatura, e se voltar para um crescimento baseado no consumo.
O 15º Plano Quinquenal (2026-2030), lançado nesta quinta-feira, 5, mantém a aposta na manufatura de ponta e na autossuficiência tecnológica. Mas, apesar da liderança chinesa em setores como veículos elétricos, inteligência artificial e robótica, o mercado interno sofre com deflação, excesso de oferta, lucros pressionados, estagnação salarial e desemprego juvenil próximo das máximas históricas.
Aumento de gastos com defesa
Pequim também anunciou que seu orçamento de defesa, o segundo maior do mundo, aumentará 7% em 2026.
O país deve gastar US$ 276,8 bilhões (R$ 1,4 trilhão), cerca de três vezes menos do que a verba destinada ao mesmo setor pelos Estados Unidos. A cifra é levemente inferior à do ano passado (7,2%), mas está em linha com os anos anteriores, embora especialistas estrangeiros considerem esse número subestimado em comparação com os gastos reais.
Esse ritmo de crescimento foi publicado em um relatório orçamentário do Ministério das Finanças divulgado paralelamente à sessão anual do Parlamento.
Os Estados Unidos têm o maior gasto militar do mundo, de US$ 997 bilhões (R$ 5,2 trilhões) em 2024, à frente da China (US$ 314 bilhões, ou R$ 1,6 trilhão), segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri). Em seguida vêm Rússia (149), Alemanha (88,5), Índia (86,1), Reino Unido (81,8), Arábia Saudita (80,3), Ucrânia (64,7) e França (64,7).