Ciranda de erros

1 de junho de 2020 100

 Clovis Baiano nos faz cantar: "Todo o mundo erra // todo o mundo vai errar". Hélio Schwartsman ("É bom Jair obedecendo", Folha, 29-5), assertivamente, define a democracia como "o regime dos erros sucessivos". Na política, quem erra primeiro são os eleitores que, em lugar de escolherem gente honesta e competente, votam em quem lhe promete favores pessoais ou vantagens de grupos. Os vencedores, ao ocuparem cargos legislativos ou executivos, esquecem que "democracia", pela própria etimologia, é o governo do povo, precisando atender a suas necessidades básicas, como educação, saúde, emprego. Ao Judiciário caberia corrigir erros e falhas do poder Legislativo e Executivo com base na Constituição em vigor.

            Mas aí está o erro maior: a chamada "Carta Magna" foi redigida por seres humanos, limitados por tempo, espaço, quantidade e qualidade de neurônios. Apenas para dar um exemplo: não é uma contradição nossa Constituição pregar a independência dos Três Poderes, ao mesmo tempo em que delega ao Presidente da República o direito de nomear os Ministros do Supremo Tribunal da Justiça? Por que nossos parlamentares não alteram artigos do texto constitucional, quando for preciso, para melhorar nossa vida em sociedade? Será que a teoria da evolução ainda não chegou no Brasil, persistindo no criacionismo, terraplanismo, absolutismo, Bolsonarismo?

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Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
http://pt.wikisource.org/wiki/Autor:Salvatore_D%E2%80%99_Onofrio