Com Bolsonaro, percentual de empregadas domésticas registradas atinge menor nível desde 2013

23 de dezembro de 2019 117

Em entrevistas recentes, Jair Bolsonaro faz questão de divulgar que os números da economia são os fatores mais positivos do seu governo. No entanto, a realidade não é bem essa. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por exemplo, concluiu que as empregadas domésticas estão mais velhas, mais escolarizadas e menos protegidas, de acordo com reportagem de Cássia Almeida, de O Globo.

O perfil dessas trabalhadoras indica que a formalização ficou em 28,6%, o menor nível desde 2013. Naquele ano, o percentual de domésticas com carteira tinha ultrapassado os 30% pela primeira vez, atingindo o melhor cenário em 2016 (33,3%).

A crise mudou o panorama. Agora, as famílias escolhem diaristas. Hoje, 44% das domésticas estão nessa categoria, sem carteira assinada, contra 36,8% em 2016.

“Com a crise, os encargos pesam e as famílias optam por diarista. Impactos da lei de 2015 (que instituiu cobrança de horas extras e FGTS para domésticas) e da crise se confundem. Havia a expectativa de que, como diarista, a remuneração seria melhor. Se as relações fossem mais profissionais, haveria mais controle do preço cobrado, mas elas estão desprotegidas”, conta Luana Pinheiro, que assina o estudo ao lado das pesquisadoras Fernanda Lira, Marcela Rezende e Natália Fontoura.

O estudo aponta, também, que, desde 1995, alterações no mercado de trabalho, na economia e no acesso à educação levaram a uma transformação no perfil da categoria.

 

Idosas

Há duas décadas e meia, quase metade das empregadas eram jovens com até 29 anos. Atualmente, elas representam pouco mais de 13% do total. A proporção de idosas (60 anos ou mais) subiu de 2,9% para 7,4%. Hoje, 79,2% das domésticas têm entre 30 e 59 anos, contra 50,2% em 1995.

Por sua vez, a escolaridade das empregadas cresceu. Em 1995, elas estudavam em média de três a quatro anos. Em 2018, elas já tinham sete anos de estudo, em média.

A pesquisa indicou, também, que, entre as mulheres negras, o serviço doméstico é a principal atividade, juntamente com o comércio. Entre elas, 18,6% são domésticas. Entre as brancas, a parcela cai para 10%. Entre as empregadas, 68,4% são negras.