Como Alcolumbre pretende conduzir a PEC da jornada 6×1 no Senado
A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que acaba com a jornada de trabalho 6×1 foi aprovada em primeiro turno na noite desta quarta-feira, 27, por 472 votos a 22, pelo plenário da Câmara. O texto prevê a redução de 44 para 40 horas semanais de trabalho no país. O resultado confirmou as expectativas para a votação e representou uma das maiores vitórias do governo no terceiro mandato de Lula. Depois de aprovado em segundo turno, o texto segue para o Senado.
A aprovação da proposta foi resultado de um acordo feito entre o Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em meio à euforia da bancada governista durante a discussão da PEC, aliados do Planalto ainda tinham dúvidas sobre como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tratará a proposta, mas faziam um cálculo político eleitoral diante do grande apelo popular do tema. “Se Alcolumbre não colocar para votar, Lula vencerá em primeiro turno”, apostava o presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP).
A afirmação do parlamentar teve como base a adesão de última hora por parte da oposição ao texto apresentado pelo relator Leo Prates (Republicanos-BA). Por causa desse movimento, apenas 22 deputados votaram contra a proposta.
Enquanto a Câmara ainda debatia a PEC, Alcolumbre aprovou simbolicamente um requerimento de urgência para a realização de uma sessão de debates, ainda sem data, sobre os efeitos da PEC. Ele não pretende imprimir tramitação urgente à proposta, mas planeja aprovar o texto ainda no período da pré-campanha eleitoral. A ideia do presidente do Senado é dar tempo para que todos os campos partidários possam opinar, como aconteceu na Câmara.
A proposta terá que passar pela CCJ (Comissão da Constituição e Justiça), depois pela comissão especial, para depois chegar ao plenário. Como presidente, Alcolumbre poderia levar direto para o plenário, mas esse não será o caminho. “Nunca uma proposta dessa relevância passará pelo senado sem que a Casa deixe sua digital”, disse ao PlatôBR um interlocutor assíduo do presidente do Senado.