Como o PCC usou fintechs e fundos de investimento para lavar dinheiro no setor de combustíveis

28 de agosto de 2025 27

Deflagrada pela Policia Federal na manhã desta quinta-feira, 28, a operação Carbono Oculto associa gestoras de investimentos e fintechs à lavagem de dinheiro bilionária realizada pelo grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a Receita, havia o envolvimento de centenas de empresas em diversos elos da cadeia de produção e financiamento da área de combustíveis. Importadoras atuavam como intermediárias, adquirindo produtos no exterior com recursos de formuladoras e distribuidoras controladas pela organização. Ao lado de postos também vinculados ao grupo criminoso, sonegavam impostos de forma sistemática e adulteravam combustíveis.

Nas vendas com valores em espécie ou via maquininhas de cartão feitas pelos postos, os valores eram transferidos para contas vinculadas ao esquema criminoso. As fintechs eram escolhidas em vez de bancos tradicionais pois, segundo a Receita, “dificultavam o rastreamento dos valores transacionados”.

Por fim, o dinheiro lavado era reinvestido em fundos de investimento multimercado e imobiliários, utilizados para ocultar o patrimônio acumulado. A Receita Federal já identificou ao menos 40 fundos controlados pelo grupo, com um patrimônio estimado em R$ 30 bilhões.

Fintech atuava como ‘banco paralelo’

Apesar de não ter divulgado oficialmente o nome das empresas, a Receita Federal afirma que uma fintech de pagamento atuava como “banco paralelo” da organização criminosa, tendo movimentado mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024.

As mesmas pessoas controlavam outras instituições de pagamento menores, usadas para criar uma dupla camada de ocultação. “A fintech também recebia diretamente valores em espécie. Entre 2022 e 2023, foram efetuados mais de 10,9 mil depósitos em espécie, totalizando mais de R$ 61 milhões. Este é um procedimento completamente estranho à natureza de uma instituição de pagamento, que opera apenas dinheiro escritural.”

Segundo a Receita, a “utilização de fintechs pelo crime organizado objetiva aproveitar brechas na regulação desse tipo de instituição. Essas brechas impedem o rastreamento do fluxo dos recursos e a identificação, pelos órgãos de controle e de fiscalização, dos valores movimentados por cada um dos clientes da fintech de forma isolada”.

Fundos de investimento com cotista único

Já os fundos envolvidos na operação tinham como característica contarem “com um único cotista, geralmente outro fundo de investimento, criando camadas de ocultação”.

Entre os bens adquiridos por esses fundos estão, segundo os auditores, “um terminal portuário, quatro usinas produtoras de álcool (mais duas usinas em parceria ou em processo de aquisição), 1.600 caminhões para transporte de combustíveis e mais de 100 imóveis, dentre os quais seis fazendas no interior do Estado de São Paulo, avaliadas em R$ 31 milhões, e uma residência em Trancoso/BA, adquirida por R$ 13 milhões”.

(*com informações do Estadão Conteúdo)

Fonte: ISTOÉ DINHEIRO