Conservadorismo
Confesso que fiquei perplexo ao ler o artigo "Pátria conservadora" (Veja, 18/3), onde Edoardo Ghirotto informa: "Pesquisa exclusiva mostra que a maioria dos brasileiros rejeita o aborto, a união civil entre gays e a descriminalização das drogas, enquanto apóia o ensino religioso, a abstinência sexual e os colégios militares". Isso me faz lembrar do saudoso Nelson Rodrigues, que afirmara "toda a unanimidade é burra", e da frase do filósofo francês Ernest Renan: "A única coisa que nos dá a idéia do infinito é a imbecilidade humana". Se a maioria do povo brasileiro rejeita três medidas que melhorariam a vida em sociedade, aprovando três muito ruins para a nossa democracia, como podemos continuar achando que o homem é um animal "racional", conforme a consagrada definição? Haveria alguma lógica em escolher qual doutrina ensinar nas escolas públicas, se há tantas religiões diferentes?
A resposta a estas questões está no grau de evolução a que chegaram as diversas civilizações, umas parando no tempo, presas a preconceitos religiosos e a políticas conservadoras, ainda acreditando no terraplanismo e noutros relatos bíblicos; outras avançaram junto com o progresso científico. A crença no Criacionismo, que impede aceitar o Evolucionismo de Darwin, é o que faz a diferença. Infelizmente, ainda não conseguimos aceitar a verdade já descoberta por filósofos e cientistas: "nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma". Essa transformação é a evolução universal, baseada no uso da inteligência humana, individual e coletiva, para refletirmos na conseqüência de nossos atos e vivermos na melhor forma possível. Somente a educação faz sair uma sociedade da inércia conservadora!
Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
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