Conversa revela articulação para culpar vítima e livrar Pedro Turra

31 de janeiro de 2026 31

Uma conversa obtida pela coluna e anexada ao inquérito policial passou a ser uma das principais peças usadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para sustentar a suspeita de combinação de depoimentos no caso que envolve Pedro Arthur Turra Basso, preso preventivamente nessa sexta-feira (30/1) após agressões que deixaram um adolescente em coma profundo.

Nas mensagens, trocadas após o espancamento ocorrido na madrugada de 23 de janeiro, um interlocutor orienta Pedro a sustentar a versão de que a vítima teria ameaçado “quebrar” o agressor e sacado um canivete, narrativa que não aparece de forma consistente nos registros iniciais da ocorrência nem nas imagens do ataque.

“Foi legítima defesa”

No diálogo, o contato afirma que “conseguiu tirar da cabeça dos caras que foi ele”, sugere tranquilidade ao investigado e reforça a tese de que “vai dar nada não”.

Play Video

Em seguida, orienta: “Tu foi na legítima defesa” e conclui com a afirmação de que a vítima teria sacado um canivete.

Para o Ministério Público, o teor da conversa indica orientação direta sobre o que deveria ser dito, com o objetivo de moldar a narrativa dos fatos e afastar a responsabilidade criminal do investigado.

Contexto da conversa

A troca de mensagens ocorre depois da agressão e da prisão em flagrante, em um momento em que o caso já havia ganhado repercussão e antes da consolidação dos depoimentos formais.

Segundo o MP, isso reforça a tese de que houve uma tentativa deliberada de alinhamento prévio de versões, sobretudo entre pessoas do círculo próximo de Pedro.

O MP destaca ainda que parte das testemunhas é composta por menores de idade, o que aumenta o risco de influência indevida, intimidação ou direcionamento de falas.

Contradições com as provas

De acordo com os autos, vídeos já analisados pela polícia mostram a vítima sendo cercada e agredida, sem evidências claras de que estivesse armada ou representasse ameaça capaz de justificar reação violenta nos termos da legítima defesa.

Além disso, o Ministério Público aponta que a narrativa do “canivete” surge apenas em versões posteriores, coincidentemente repetida por pessoas ligadas ao investigado.

Peso na decisão judicial

A conversa foi citada tanto no pedido de busca e apreensão quanto no requerimento de prisão preventiva, sob o argumento de que o investigado e seus aliados estariam interferindo na produção de provas, o que compromete a instrução criminal.

Na decisão que decretou a prisão, o juiz destacou que há indícios de que Pedro acredita na impunidade, desafia a ordem pública e atua para dificultar a reconstrução da verdade, especialmente ao tentar transferir à vítima a responsabilidade pela violência.

A Polícia Civil e o MPDFT continuam analisando celulares e outros dispositivos apreendidos para verificar se há novas conversas semelhantes, inclusive envolvendo outros episódios de agressão atribuídos ao investigado.

Fonte: Mirelle Pinheiro