Cotas

20 de setembro de 2019 327

 A ex-senadora Marta Suplicy, no artigo Backlash, "forte reação" (Folha, 19-9), acusa de machismo os caciques políticos brasileiros que querem abolir a obrigatoriedade do destino de 30% dos recursos de fundos partidários e eleitorais, reservados para mulheres pela vigente lei das cotas. Embora nossa Constituição reze que somos todos iguais perante a lei, como é difícil encontrar o equilíbrio existencial! Peca-se por falta ou por excesso. Antes de 1932, as mulheres sequer tinham o direito de votar; agora têm vagas exclusivas na vida pública. Aumentou o número de senadoras, deputadas e vereadoras, mas não por isso melhorou a atuação da classe política.

            A meu ver, a necessidade de "cotas", em qualquer estamento social, é o atestado da incompetência de uma parte da população, aumentando o sentimento de desigualdade humana. Se um rapaz de cor negra deve receber cotas para freqüentar uma universidade, pública ou privada, afirma-se o preconceito da inferioridade da etnia africana, ao mesmo tempo em que se comete uma injustiça contra um jovem de cor clara que estudou mais, mas perdeu a vaga por alguém de pele mais escura. Progresso social deve ser conseguido por mérito e não por privilégio. Gostaria de saber se em algum país civilizado existem sistemas de cota. Se a dona Marta souber, por favor, me informe. A luta que ela propõe entre sororidade e fraternidade (mulheres contra homens) na política e na ocupação de cargos públicos, instilando rivalidades e ódios, só pode prejudicar nosso País. Infelizmente, trata-se da continuação da odiosa marca do lula-petismo: "Nós contra eles"!

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Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
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