CPI da Covid ouve nesta terça Mayra Pinheiro, a “Capitã Cloroquina”

25 de maio de 2021 52

CPI da Covid ouve, nesta terça-feira (24/5), a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”.

A secretária, assim como o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, também ingressou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) e poderá permanecer em silêncio sobre fatos ocorridos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, período em que ocorreu a crise do oxigênio hospitalar em Manaus.

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, que havia rejeitado um primeiro habeas corpus a secretária, acabou concedendo a ela o direito de ficar em silêncio. Afinal, Mayra responde a ação de improbidade administrativa apresentada pelo Ministério Público Federal no Amazonas.

Mayra ficou conhecida por organizar uma comitiva de médicos a Manaus para promover o chamado “tratamento precoce” para a Covid-19, com cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina – mesmo sem a comprovação de eficácia no tratamento do novo coronavírus –, no auge da crise de oxigênio hospitalar na capital amazonense.

Ela também escreveu um artigo no qual faz uma defesa sobre a nota informativa n° 9/2020, que tem orientações do Ministério da Saúde para “Manuseio Medicamentoso Precoce de Pacientes com Diagnóstico de Covid-19”, e sugeriu que os críticos aos medicamentos sem comprovação de eficácia para a Covid-19 podem ter cometido um “verdadeiro genocídio”.

Pazuello afirmou à CPI da Covid na última semana que a secretária é a mentora da plataforma TrateCov, que indicava remédios sem comprovação de eficácia até para bebês.

O ex-ministro alegou que a plataforma foi hackeada e colocada no ar indevidamente. As redes sociais da pasta e a TV Brasil, porém, divulgaram o lançamento da plataforma.

Os senadores querem mais informações sobre a aquisição e distribuição de comprimidos de cloroquina pelo Ministério da Saúde, além de questões relativas ao isolamento social, a vacinação e ao TrateCov.

“Isso [o habeas corpus] atrapalha muito. Dificulta, mas é preciso ter paciência. Pazuello acabou falando. Ela vai ter que responder o que Pazuello falou [sobre ela ser a mentora do TrateCov]”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), acrescentando que a plataforma e a promoção da cloroquina serão temas bastante explorados.

O depoimento da secretária estava previsto para ocorrer na última quinta-feira (20/5), porém foi adiada porque a oitiva de Pazuello se estendeu por dois dias.

Sessões

A comissão vai realizar, na quarta-feira (26/5), sessão deliberativa para analisar requerimentos, entre elas a de reconvocação do ex-ministro Eduardo Pazuello, que, após apresentar contradições durante depoimento na semana passada, participou de uma manifestação com motociclistas a favor do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, no último domingo (23/5), sem máscara.

Na quinta-feira (27/5), o colegiado ouvirá o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. O instituto desenvolve, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, a Coronavac.

O colegiado ouviria, na quinta-feira, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco, responsável pela execução e administração da pasta, além das negociações e aquisição de vacinas e insumos. Ele deixou a pasta no final de março deste ano.

Contudo, Franco se recupera da Covid-19 e deve ser ouvido, a princípio, na segunda semana de junho.

Fonte: METRÓPOLES/Marcelo Montanini