CPIs dominam ação no Congresso depois de vazamento de mensagens

12 de junho de 2019 138

Com casa cheia e sessão do Congresso Nacional agendada, deputados e senadores fizeram suas primeiras movimentações, na terça-feira (11), sobre o caso do vazamento das conversas de Sergio Moro e os procuradores do MPF (Ministério Público Federal), divulgadas em matéria no site The Intercept. Parlamentares governistas e de oposição começaram a levantar assinaturas para instalar CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) – de um lado para apurar a parcialidade do ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, e do outro para averiguar a interceptação e violação de sigilo dos celulares. Os dois grupos precisam levantar 171 assinaturas para protocolar os pedidos.

 

As lideranças ainda não se posicionaram sobre as propostas e o clima é de cautela. Segundo informações do jornal “O Globo”, o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM), recomendou aos líderes do Centrão que não embarcassem numa CPI liderada pela oposição. O que já é certo é que o ministro acertou sua ida à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, na próxima quarta-feira (19), para tratar do tema.

 

Os deputados Filipe Barros (PSL-PR) e Carlos Jordy (PSL-RJ) iniciaram o trabalho para coletar as assinaturas para a CPI sobre a quebra de sigilo dos celulares. “Como não há posicionamento das bancadas, o trabalho é individual, falando com cada deputado. A oposição vem buscando obstruir a pauta, pedindo a demissão do Moro. Outra frente que devemos atacar é juridicamente. Estamos estudando de que forma podemos agir”, explicou Barros à FOLHA. O partido do presidente, que ao longo do ano vem batendo a cabeça para afinar o discurso, tem nesta crise uma boa oportunidade de buscar a coesão. Barros defende que o movimento é natural. “O partido é jovem e cresceu muito nas últimas eleições. Somos formados por perfis muito diferentes. No entanto, defendo a formação de um núcleo duro para que possamos agir em questões importantes. E isso aconteceu agora, todos os deputados subscrevem o requerimento da CPI”, pontuou Barros.

A cautela pedida pelo presidente da Casa parece ter sido alcançada e a ida de Moro ao Senado na próxima semana teve efeito calmante para o Centrão. “Está tudo muito recente, é preciso aguardar os próximos acontecimentos. A sessão do Congresso hoje (terça-feira) trata de temas importantes. Há a movimentação das assinaturas, mas para mim não pediram para assinar nenhuma das duas e nem há orientação da liderança do partido”, afirmou o experiente Ricardo Barros (PP-PR).

 

Durante toda a manhã, o trabalho da oposição foi na tentativa de buscar o apoio dos partidos de centro. Além da CPI, o grupo já buscava construir a convocação do ministro para o Congresso. Uma reunião para tratar do tema recebeu parlamentares na sede do PSB. Segundo “O Globo”, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que a equipe dos procuradores está “comprometida e as decisões tomadas por eles são ilegítimas”.

 

CONTA PRÓPRIA

 

Para tentar minimizar seu desgaste, o próprio Sergio Moro se ofereceu para ir ao Senado. A avaliação é que a casa é um território menos hostil que a Câmara e que a comissão é um ambiente controlado. A decisão foi lida em plenário, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), durante a sessão do Congresso Nacional e provocou reclamações. “Não é adequado que o ministro escolha, que o ministro decida e a gente não possa participar desta decisão”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS). Ao se oferecer para ir ao Senado, Moro se antecipou à aprovação de requerimentos para convocá-lo e tenta esfriar o clima para a criação de uma CPI para apurar possíveis irregularidades sobre seu comportamento como juiz da Lava Jato. (Colaborou Folhapress)

Filipe Barros (PSL) quer CPI para investigar quebra 
dos sigilos do telefone de Moro e procuradores
Filipe Barros (PSL) quer CPI para investigar quebra dos sigilos do telefone de Moro e procuradores | Pablo Valadares/Câmara dos Deputados