Depois do Centrão, Bolsonaro deve ter o apoio dos deputados do PSDB ligados a Aécio Neves

20 de agosto de 2020 138

Do Globo:

Por trás da movimentação para tornar Celso Sabino (PSDB-PA) líder da maioria na Câmara dos Deputados — por enquanto, sem sucesso — há a tentativa de alguns deputados do PSDB de aderir à base do governo. Contra a vontade de lideranças do partido, o grupo de Aécio Neves (MG) quer participar das negociações entre Jair Bolsonaro e o centrão.

A expectativa de seus aliados é de que, ao se tornar líder da maioria, Sabino ganhasse capital político para negociar cargos e verbas para seus colegas do PSDB. Dez partidos entregaram um requerimento para que Sabino assumisse o cargo. O PSL e o Republicanos, porém, desistiram da manobra. Por ora, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), próximo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), segue como líder da maioria.

Na bancada do PSDB, há os aliados de Aécio — grupo que inclui Sabino e teria até dez deputados — e outros mais próximos do PSDB paulista e de João Doria, governador de São Paulo. Para os primeiros, a sigla adota uma posição hipócrita em relação ao governo Bolsonaro: é fiel na maioria das pautas, mantém um senador (Izalci Lucas, PSDB-DF) como vice-líder do governo no Senado, mas prega um discurso de independência.

Já o segundo grupo defende que, embora o PSDB esteja alinhado com o Executivo na pauta econômica, o partido não deve integrar o centrão ou participar da negociação de cargos e verbas. Formando a maioria da bancada de 31 deputados, eles criticam os colegas por supostas motivações fisiológicas para a aproximação com o governo.