Deputados querem a saída de Eduardo Bolsonaro da presidência da Comissão de Relações Exteriores
Os deputados federais não estão nada satisfeitos com o desempenho de Eduardo Bolsonaro à frente da presidência da Comissão de Relações Exteriores. Depois de voltar a atacar a China, parlamentares pediram, nessa quarta-feira (25), ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que paute o “imediato afastamento” do deputado federal da comissão.
De acordo com informações divulgadas no blog da jornalista Andréia Sadi, o requerimento é assinado pelos deputados Perpetua Almeida (Presidente Frente Parlamentar da Cooperação entre os Países do Brics), Fausto Pinato (da Frente Parlamentar Brasil-China) e Daniel Almeida (Presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil/China).

Na última segunda (23), o deputado escreveu — e depois apagou — uma mensagem sobre o 5G, a internet móvel de quinta geração. Na mensagem, Eduardo dizia que o governo brasileiro declarou apoio a uma “aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”. A embaixada da China no Brasil afirmou em nota que as afirmações de Eduardo são “infundadas” e “solapam” a relação entre os dois países.
Declaração do deputado é considerada afronta
Segundo os parlamentares, as declarações de Eduardo Bolsonaro contra a China são uma afronta às boas relações diplomáticas que o Brasil vem construindo há mais de 45 anos com o país.
Em nota conjunta, os deputados afirmam que “a atitude do deputado, que ainda ocupa interinamente e administrativamente a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, cria um constrangimento a todos, visto que não corresponde ao pensamento da maioria dos membros da Instituição e agride a soberania nacional brasileira, causando abalos nas relações diplomáticas entre a China e o Brasil”.
Ainda segundo a jornalista Andréia Sadi, o entendimento dos parlamentares é que, como não houve a eleição de novos presidentes de comissões no começo de 2020 devido a pandemia, os interinos seguiram no cargo (como é o caso de Eduardo) até a nova eleição, mas não tem autorização para outras funções que não sejam burocráticas e internas relacionadas às comissões.
Dessa forma, de acordo com um técnico da Câmara, Eduardo Bolsonaro só tem o direito de praticar atos de expediente restritos à gestão interna, sem autorização para se manifestar em nome do colegiado ou praticar qualquer ato que envolva o exercício de competência legislativa da comissão.