“Tempos de mudança”
É nesse contexto que Bolsonaro chega ao G-20, prometendo “um novo Brasil”, que fará reformas para gerar empregos e fazer a economia crescer. Essas e outras promessas estão num artigo assinado por Bolsonaro sobre a participação brasileira nesta reunião de cúpula, que começa sexta-feira (28/06/2019). O G-20 reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia e atua como um conselho internacional para a cooperação econômica.
No artigo “G-20, cooperação em tempos de mudança”, Bolsonaro pinta um retrato bastante otimista – quase ufanista – da conjuntura política e econômica brasileira, dizendo que a reforma da Previdência, em análise na Câmara dos Deputados, vai cortar mais de US$ 250 bilhões em gastos do governo nos próximos 10 anos, valor equivalente, em reais, à cifra de cerca de R$ 1 trilhão, prometida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Bolsonaro ressaltou no artigo que a reforma vai proteger os pobres e combater privilégios.
Ele destaca também o programa de concessões e privatizações, que, desde o começo da atual gestão, concedeu à iniciativa privada 16 aeroportos, 27 terminais portuários e a ampliação da ferrovia Norte-Sul. Até o fim deste ano, segundo a expectativa do presidente, as concessões e privatizações vão superar o valor de US$ 60 bilhões.
Contra a decadência
Bolsonaro mencionou ainda que está discutindo com o Congresso a reforma tributária e que enviou para apreciação dos parlamentares o Pacote Anticrime, elaborado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. “Deixamos para trás o tempo em que o Estado era inchado, ineficiente, corrupto e permissivo com a violência”, afirma no artigo.
Segundo o presidente, todas essas ações combinadas vão criar empregos e crescimento e se destinam a “virar a página da decadência política, econômica e moral que dominou o Brasil”. O texto, porém, ignora as dificuldades que o governo vem tendo no Congresso para aprovar suas propostas. Até o momento, o projeto de reforma da Previdência – em análise numa comissão especial da Câmara dos Deputados – foi alterado em pontos considerados essenciais pelo governo.
E o Pacote Anticrime, de Sergio Moro, está parado enquanto o ministro enfrenta uma sequência de denúncias do site The Intercept, a respeito de possíveis ilegalidades cometidas por ele e pelos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, especialmente na condução do processo que levou à condenação e prisão do ex-presidente Lula (PT).
Dados ruins
Os indicadores econômicos também contradizem o otimismo do presidente. O nível de desemprego permanece alto, em torno de 13 milhões de desempregados, e a economia não consegue se recuperar. O mercado vem revendo para baixo a previsão do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano. Na última revisão, divulgada no começo desta semana, a estimativa caiu para 0,87%. Quando Bolsonaro tomou posse, em janeiro, a expectativa de crescimento para este ano era de 2,2%.
O presidente também trata no artigo de questões internacionais. Afirma que o Brasil apoia a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), que precisa “atender seu propósito original de abrir mercados e promover o desenvolvimento dos países membros. Bolsonaro reclama especificamente de distorções provocadas por regras diferentes para produtos industriais e agrícolas, que prejudicam as exportações brasileiras de commodities.
O presidente diz ainda que o Brasil quer entrar na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) “sem demora”, pleito que já tem o apoio do presidente norte-americano, Donald Trump. Bolsonaro frisa também que vai dar prioridade para negociações de acordos em estágio avançado, como por exemplo, entre o Mercosul e a União Europeia e com o Canadá