‘Deveria ser estuprada e morta’, diz membro de grupo neonazista ao incitar crime contra jornalista

26 de maio de 2022 99

Edmar Alteff Xavier, de 25 anos, morador de Uberlândia (MG), foi identificado pela Polícia Civil como membro de um grupo de WhatsApp com temática neonazista. Segundo o seu depoimento prestado na Delegacia de Uberlândia, ele admitiu que incentivou por meio do Twitter que uma jornalista fosse estuprada e morta em junho de 2019. As informações são do O Globo.

No dia 25 de fevereiro, ele assumiu na delegacia a autoria da mensagem na qual afirmava que a jornalista “merecia ser estuprada para sentir o gosto quando um homem no presídio é violentado quando é falsamente acusado”. Isso ocorreu depois que ela publicou um comentário sobre a investigação que apurava um suposto estupro cometido pelo jogador Neymar. O inquérito sobre o caso foi arquivado.

Após a postagem, Edmar passou a enviar mensagens privadas para a jornalista. “Seu lixo imundo”, escreveu. “Mulher que nem tu que deveria ser jogada aos presos para ser estuprada e morta”, completou. “Verme”, finalizou.

Reprodução

A jornalista, então, tirou print (captura de tela) das mensagens e divulgou o conteúdo no Twitter. Alteff ficou irritado e passou a persegui-la. “Ninguém tá nem aí só ver a quantidade de comentários. Só tu apagar o Tweet que tu não ver nem rastro meu mais no seu perfil.”

Segundo a jornalista, Edmar criou contas falsas nas redes sociais e de email para ameaçá-la.

“É um terror psicológico puro. Desde julho de 2019 ele não para. É como se eu ganhasse um tapa psicológico o tempo todo e sem saber de onde está vindo. Eu fico com medo de ir até a esquina. É alguém que você não está vendo, não conhece, são ameaças apenas no digital, mas que mexem com a gente”, disse.

“Já tive crises de ansiedade, desenvolvi muitas coisas neste período, tive ataques de pânico, desenvolvi bruxismo e uso aparelho por isso. Tenho laudos de psicólogos dizendo que a causa é emocional”, completou.

Ao ser questionado pelo O Globo, Edmar afirmou que cometeu “um erro em 2019” e fez “de tudo para reparar” a jornalista, mas não obteve sucesso.

No entanto, Alteff entrou com uma ação contra a jornalista na Comarca de Uberlândia, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, para que ela removesse a publicação na qual expôs as ofensas que sofreu.

“Ela (a jornalista) que é a vítima e precisa de uma proteção estatal. Nós vamos pedir medidas restritivas, inclusive em meios digitais, email e WhatsApp, para que ele (Alteff) seja proibido de entrar em contato através de meios eletrônicos”, disse a advogada Tanila Savoy, que integrante da Associação Nacional das Vítimas de Internet (Anvint) e realiza o trabalho sem custos.

“Ele é um ofensor sem limites, que agride pessoas que não conhece, que não tem relações anteriores com ele. Vítimas desse tipo de comportamento não podem ficar desamparadas pela Justiça”, complementou a advogada Iolanda Garay, que também integra a Anvint.

Fonte: ISTOÉ