Dobrou o gasto: PSL usou R$ 340 mil para contratar advogada defendeu laranjas

5 de fevereiro de 2020 72

De Ranier Bragon e Camila Mattoso na Folha de S.Paulo.

Duas semanas após a revelação do escândalo das candidaturas de laranjas, o PSL nacional usou parte da verba que recebeu dos cofres públicos para contratar uma advogada exclusivamente para o diretório de Minas Gerais, um dos focos do caso.

Os gastos com serviços jurídicos dobraram desde o ingresso de Bolsonaro na sigla —o presidente permaneceu no partido por um ano e oito meses e se desfiliou em novembro passado. A legenda chegou, inclusive, a prever pagamento de abono natalino a um dos escritórios.

O contrato firmado para o diretório de Minas, de R$ 250 mil, foi assinado em 15 de fevereiro de 2019 com a advogada Fernanda Lage Martins da Costa. Cinco meses depois, foi reajustado para R$ 340 mil.

 

O objetivo do contrato, entre outros pontos, era fazer “assessoria e consultoria jurídica de ‘compliance’ (advocacia preventiva)” para a sigla em Minas, auxiliando a “elaboração de procedimentos internos, regulamentos, decisões e código de condutas” com o objetivo de mapear e gerir “riscos de infrações legislativas”.

A partir daí, a advogada passou a atuar na defesa das candidatas do PSL Lilian Bernardino, Débora Gomes, Naftali Tamar e Milla Fernandes, denunciadas pelo Ministério Público sob acusação de participar de esquema de candidaturas fictícias comandado pelo atual ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio.