ELES ME DERAM OS TRÊS PATETAS. OBRIGADO...

20 de junho de 2020 218

Quando as pessoas falam em espionagem eu penso logo em esquema tecnológico de última ponta, arapongagem refinada, profissional, coisa quase como um Henry Faber (Die Nadel), personagem concebido por Ken Follett no maravilhoso - eu recomendo -, o Buraco da Agulha (1978).

Aí quando vejo, p*@# m*&$@!!!, são três ou quatro pobres coitados. E todos tirados de seus respectivos postos de trabalho onde deveriam, em tese, prestar serviço, ocupando uma saleta pior e mais apertada do que a pior e mais apertada lan house que você já foi na vida.

E isto tudo a pedido do menino que vê gestão como principado. O garoto, por sua vez, entrega nas mãos dos vassalos um arquivo de bloco de notas [não é nem a porcaria de um .doc, é um .txt! Sério, olha a humilhação...].

A ideia, claro, é que o trio chafurde as redes sociais dos listados; entre eles, eu.

É ultrajante!

Ah, não me refiro ao fato de ser "espionado". E sim, o vocábulo está entre aspas. Sinceramente, seria até legal. Haveria algo de diferente pra contar no futuro, sabe?

O problema é só um: não dá pra chamar essa idiotice de espionagem, sem aspas, lamentavelmente...

Um cara colocar Os Três Patetas para ler o meu Facebook é uma falta de respeito comigo, sinceramente. Eu mereço mais. Eu mereço ao menos um hacker, sabe? Alguém como o próprio Faber no meu encalço, à espreita, apagando rastros, me monitorando a distância, checando meus e-mails, com acesso irrestrito ao histórico do meu navegador e às conversas telefônicas e de WhatsApp travadas com fontes anônimas.

Sim, não mereço nada menos do que isso.

Mas o que foi que eles me deram?

Moe, Larry e Curly...

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O ESPECTADOR - POR VINICIUS CANOVA

JORNALISTA COLABORADOR DO WWW.QUENOTICIAS.COM.BR