Elio Gaspari diz que decreto para Exército operar com aeronaves de asa fixa foi ‘lambança de Bolsonaro’

14 de junho de 2020 83

Da Coluna de Elio Gaspari na Folha de S.Paulo.

Tendo colocado um general no ministério da Saúde, Jair Bolsonaro deveria escolher um médico para aconselhá-lo em assuntos militares. Fazendo isso, evitaria lambanças como a que produziu assinando um decreto que permitia ao Exército operar com aeronaves de asa fixa.

Assinou o decreto no dia 2 e revogou-o uma semana depois. No escurinho de Brasília e na confusão da epidemia, passava-se uma boiada que criaria a aviação do Exército.

A incorporação de aeronaves às forças de terra e de mar é uma velha encrenca doutrinária. Caxias usou balões fixos na Guerra do Paraguai, antes do voo do primeiro avião. O Exército teve uma aviação e seu patrono é o tenente Ricardo Kirk, que em 1915 morreu ao cair em Caçador (SC), combatendo os
revoltosos do Contestado.

 

A Força Aérea não gosta da ideia de aviões com a Marinha ou com o Exército. Em 1964 o marechal Castello Branco teve que descascar o abacaxi da aviação embarcada que tripularia o navio aeródromo Minas Gerais.

Nessa crise, um capitão da FAB metralhou o rotor de um helicóptero da Marinha que pousou na base gaúcha de Tramandaí. Esse foi o único incidente em que os desentendimentos militares ocorridos durante a ditadura tiveram tiros. Em todos os outros as questões foram resolvidas por telefone.