Em conflito, ala mais conservadora tenta reduzir poderes de ministro da Secretaria de Governo
Do Globo:
O episódio envolvendo a campanha publicitária do Banco do Brasil aumentou a pressão sobre o ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz , da Secretaria de Governo (Segov), alvo de críticas da ala ideológica do Palácio do Planalto. Na última sexta-feira, o ministro irritou o grupo ao dizer que a Secretaria de Comunicação (Secom), subordinada a ele, errou ao enviar e-mail determinando que as propagandas mercadológicas das estatais sejam aprovadas pelo governo, contrariando legislação vigente.
A nova disputa que se desenha no Planalto ocorre após Bolsonaro ordenar que um comercial do BB fosse retirado do ar. A propaganda, que explora o tema da diversidade, era estrelada por atores e atrizes brancos e negros, jovens tatuados usando anéis e cabelos compridos. O presidente Bolsonaro afirmou, mesmo após Santos Cruz dizer que intervenções eram indevidas, que não quer “dinheiro público usado dessa maneira” e argumentou que “a massa quer respeito à família.”
Para auxiliares do presidente que disputam o poder de influência no governo com os militares, Santos Cruz se intromete em muitas áreas do Executivo e não se alinha às pautas mais conservadoras, bandeiras de campanha de Bolsonaro.
Embora a disputa entre essas duas alas seja equilibrada, também passou a pesar contra o ministro o fato de ser o mais alinhado ao vice-presidente Hamilton Mourão. Durante a crise envolvendo o vereador do Rio Carlos Bolsonaro e Mourão, na última semana, ele teria saído em defesa do vice e buscado conciliação.
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