Em editorial, Folha recomenda a Bolsonaro que governe em vez de postar “boçalidades”

7 de março de 2019 107

O jornal Folha de S.Paulo criticou o presidente eleito Bolsonaro em um editorial publicado nesta quinta-feira (07). “A esta altura, até mesmo os mais fanáticos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL) perceberam o tamanho e a dificuldade da travessia à frente da administração. O governo infante, ademais, demonstra dificuldades precoces no modo de lidar com um Congresso Nacional que bateu na eleição o recorde de fragmentação partidária. Ministros que agradam ao círculo ideológico, como o da Educação e o das Relações Exteriores, exibem estrepitosa inapetência técnica”.

O jornal desenvolve o raciocínio: “Erguem-se diante de Bolsonaro os primeiros vetores de desgaste. Não parecem mais fracos nem mais fortes que os enfrentados nas últimas décadas por outros presidentes debutantes. Em democracias competitivas e perpassadas por instituições autônomas como esta, o risco de corrosão do capital político do governante é corriqueiro. Há formas diversas de conviver com esse fato da vida, entretanto. O escapismo, por certo uma delas, talvez não produza antídotos duradouros contra a tendência à erosão. Atiçar suscetibilidades à esquerda e à direita com a postagem de uma cena escatológica durante o Carnaval pode até reativar por um átimo o clima de polarização irracional que parece ter favorecido Jair Bolsonaro na eleição”.

E finaliza: “Mas a diferença colossal de status entre o então candidato e o agora presidente logo se repõe. Não há mais cargo a ser disputado. Há um país repleto de problemas graves à espera de que o eleito ponha-se a trabalhar para resolvê-los. Os dias de agitar torcida terminaram. No Brasil, um presidente da República há 66 dias no cargo tem mais a fazer do que publicar boçalidades e frases trôpegas numa rede social. A dedicação que sobra à frente da telinha falta na reforma da Previdência, na condução da crise na Venezuela, na cobrança de retidão e competência dos ministros e na articulação com os outros Poderes. Governe, presidente”.