Em evento, Paulo Guedes defende paralisação de concursos públicos

8 de abril de 2019 286

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a paralisação de concursos públicos como uma das principais ações do governo Bolsonaro nos primeiros 100 dias de gestão, que se completam nesta quarta-feira. Guedes reiterou a posição de que não se abram mais concursos nos próximos anos, mesmo diante do panorama de aposentadoria de 50% do quadro.

"Concurso público: trava esse negócio. Quero saber o que precisa. Sem isso não tem concurso. Metade some (os 50% que se aposentarão) e a gente não repõe, ou repõe com cuidado, calibrando direitinho", disse o ministro.

Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), falam no evento "E Agora, Brasil?", promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico na capital federal. O debate é conduzido pelos jornalistas Miriam Leitão e Merval Pereira..

 

O ministro fez um análise das razões que levaram à eleição de Bolsonaro, no ano passado, "após 30 anos de governo social-democrata", e logo passou à defesa da reforma da Previdência. Guedes defendeu a íntegra da proposta. "Um gari ou um deputado vão terminar do mesmo jeito. Essa historinha de que a Previdência ataca os pobres não é verdade", disse o ministro, que também defendeu pontos específicos, como a intenção de implantar o sistema de capitalização.

Guedes negou que a proposta do governo permitirá que aposentados recebam menos de um salário mínimo, devido ao modelo nocional (se o trabalhador acumular menos do que um salário mínimo enquanto contribuinte, será agraciado com um "imposto de renda negativo" para evitar a defasagem).

Maia, por sua vez, refutou mais uma vez que a PEC do Orçamento Impositivo (aprovada na Câmara em votação-relâmpago e no Senado, com modificações, na semana seguinte) tenha sido uma derrota para o governo. Ele criticou economistas que "escreveram matérias sem ter lido o texto aprovado" ao afirmarem que o texto vai engessar o orçamento federal ao tronar obrigatória a execução de emendas de bancadas estaduais.

"Não haverá desrespeito ao teto de gastos e o governo vai continuar podendo fazer contingenciamento", afirmou Maia.