Em governo de cego, quem tem um olho é rei: Braga Netto assume protagonismo
No diagnóstico do Exército, o momento é outro no que diz respeito ao coronavírus no Brasil: passou da prevenção ao “combate ao contágio’’. O termo já demonstra como as Forças Armadas estão ganhando protagonismo na crise em que o governo federal se viu mergulhado diante da pandemia.
Na segunda-feira, em reunião com governadores do Norte e do Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro comunicou que o general Walter Braga Netto, titular da Casa Civil, vai coordenar e centralizar as ações em torno do assunto. No mesmo dia, na entrevista de rotina realizada para atualizar números no país, ele falou pela primeira vez, ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Até o último sábado, apenas Mandetta conduzia os comunicados das ações do governo federal. O protagonismo do ministro incomodou Bolsonaro, especialmente quando Mandetta concedeu entrevistas ao lado do governador de São Paulo, João Doria, rival declarado do presidente.
Cabeça da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, Braga Netto foi nomeado ministro em fevereiro e ainda não havia tido um papel de destaque no governo. Sob seu chapéu, está o Gabinete de Crise, para onde destacou nomes de sua confiança. São eles que tocam reuniões diárias, sempre às 10h, com representantes executivos de todos os ministérios envolvidos. A ideia é unificar o discurso, “evitando disse-me-disse’’, como contou um dos participantes.