Em meio à crise na CBF, Brasília tem carreata e ato simbólico contra a realização da Copa América

7 de junho de 2021 157

Neste domingo (6), a Frente Povo Sem Medo, junto a partidos de esquerda e sindicatos, realizaram um ato simbólico e uma carreata em Brasília para protestar contra a realização da Copa América no Brasil.

A decisão de fazer a Copa América no Brasil foi acertada em reunião entre representantes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, general Luiz Eduardo Ramos. Após o cancelamento do campeonato na Colômbia, em razão dos protestos políticos no país, e na Argentina, devido à restrições sanitárias, Bolsonaro pediu prioridade ao ministro para trazer o campeonato ao país.

A realização do torneio de futebol tem gerado inúmeras críticas de especialistas, políticos e torcedores, e descontentamento por parte, inclusive, de jogadores de da comissão técnica da seleção brasileira. Por conta disso, o presidente Jair Bolsonaro já estaria cogitando intervir para substituir o atual técnico do time, Tite, por Renato Gaúcho, além do elenco, com o objetivo de garantir a participação da equipe no campeonato.

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Devido a essa influência de Bolsonaro para que a Copa América seja, de fato, feita no Brasil, o ato simbólico em Brasília contou com faixas e gritos de “Fora, Bolsonaro”.

“Vacina, sim. Copa não”, escreveram os manifestantes no chão ao lado do Estádio Mané Garrincha, onde deve ocorrer o jogo entre Brasil e Venezuela.

“Estamos vivenciando um governo que pratica todos os dias a política da morte. É preciso reagir a esse negacionismo, é preciso dizer que não queremos Copa, precisa de vacina, de combate a fome e de auxílio emergencial”, afirmou a deputada Erika Kokay (PT-DF), presente no ato.

Nos últimos dias, membros de torcidas antifascistas de clubes de futebol também realizaram protestos simbólicos, em inúmeras cidades, contra o que eles vêm chamando de “Copa da Morte”.

Presidente da CBF afastado

Pressionado, Rogério Caboclo foi afastado, por 30 dias, da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), neste domingo (6). O dirigente deixa o cargo, pelo menos momentaneamente, por decisão da Comissão de Ética, de acordo com informações do Globo Esporte.

Caboclo está envolvido em uma acusação de assédio sexual por parte  de uma funcionária da entidade.

Pelo regimento interno, o vice mais velho, Antônio Carlos Nunes, conhecido como Coronel Nunes, assume durante o período de afastamento. Uma reunião entre os diretores e vices foi convocada para esta segunda (7), na sede da CBF, no Rio de Janeiro.

Os patrocinadores e outros dirigentes da confederação também pressionavam Caboclo, que agora cuidará de sua defesa e sairá de cena no momento de atrito entre comissão técnica e jogadores da seleção brasileira antes da Copa América.

O técnico Tite e o elenco prometem se manifestar na terça- (8) sobre a realização do torneio no país. Todos são contrários, em função da pandemia do coronavírus.

Fonte: REVISTA FORUM/IVAN LONGO