Embate entre STF e PGR leva apreensão ao Congresso e Dodge queima pontes com Supremo

17 de abril de 2019 276

A Coluna Painel de Daniela Lima na Folha de S.Paulo informa que o embate do Supremo com a procuradora-geral, Raquel Dodge, foi acompanhado com apreensão pela cúpula do Congresso e presidentes de partidos. O clima de vale tudo e de crise institucional, dizem, neste momento só parece útil à ala mais radical do bolsonarismo. Os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes sinalizam que não vão retroagir, mesmo sob forte artilharia. Dodge, antes já muito criticada no MPF, fez gesto à própria categoria, mas perdeu o apoio que tinha no STF. Os termos usados por Dodge liquidaram qualquer chance de sucesso do pleito da PGR no Supremo. Ela escreveu que determinava o arquivamento do inquérito aberto pela corte para apurar ofensas e fake news –e que tornava nulas decisões de Alexandre de Moraes.

De acordo com a publicação, procuradores de alas críticas a Dodge dizem que ela “fez o que tinha que fazer, mas tarde e menos do que o esperado”. Para eles, a PGR tinha que ter entrado de sola assim que o STF instalou o inquérito, em março. Além disso, avaliam, precisava ter chamado a apuração para si, e não dizer que daria fim a ela. Para integrantes do STF, Dodge agiu sob pressão interna, após procuradores serem chamados a prestar explicações. Às vésperas da escolha do novo PGR, ela vinha recebendo guarida de alguns integrantes do Supremo, mas queimou pontes ao tentar arquivar o inquérito da corte. O vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia, defende a ação da PGR. Diz que, após o Supremo ter optado por ignorar questionamentos sobre o processo e por não consultar a Procuradoria, coube ao órgão “zelar pela dignidade de suas funções e da Justiça” e ser o “guardião das garantias”.

Um ministro do STJ aposta que Toffoli e Moraes não mergulhariam em tal cruzada contra procuradores, sob forte desgaste público, sem indícios de que há espaço para questionar a atuação de integrantes do MPF. O envio do documento em que Marcelo Odebrecht cita Dias Toffoli à PGR abre espaço para 1) Alexandre Moraes derrubar a censura que impôs à revista Crusoé e 2) a PGR avaliar a menção ao presidente do STF, completa a Folha.