Empresas estrangeiras e nacionais vão apresentar proposta para exploração de áreas indígenas

25 de novembro de 2018 355

Reportagem de Rubens Valente, na edição deste domingo (25) da Folha de S.Paulo, relata que um grupo de 40 empresas nacionais e estrangeiras já prepara proposta de projeto de lei a ser encaminhada ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para tentar viabilizar projetos de exploração de áreas indígenas ou em seu entorno.

A ideia, segundo Gil Maranhão, diretor da francesa Engie, é que os índios afetados tenham direito a um percentual das receitas de novas hidrelétricas. O dinheiro faria parte de um fundo administrado pelos indígenas, pela Funai (Fundação Nacional do Índio) e por empresas gestoras de recursos. “O objetivo é que os índios se sintam parte do negócio e usem o dinheiro em áreas do seu interesse”, diz Maranhão.

O movimento teve início após Bolsonaro sugerir que os índios usem as reservas para obter royalties de hidrelétricas e de outros projetos, em encontro com Ysani Kalapalo, da tribo Xingu. “Elas não podem continuar sendo apenas preservadas para o bem não se sabe de quem”.

 

Entretanto, a ATIX (Associação Terra Indígena Xingu), principal associação representativa dos índios do Parque do Xingu, em Mato Grosso, afirmou em nota que Ysani, que seria “residente e domiciliada em Embu das Artes”, não representa os povos índigenas. Segundo a ATIX, a índigena “declarando apoio falso ao anti-humano usando nome do Xingu, não representa legalmente os povos Xinguano”.

Lideranças indígenas e ONGs afirmam que o perfil socioeconômico dos índios não pode ser comparado ao da população em geral, e que a prioridade nas terras deve ser a preservação, não os negócios. Na prática, porém, há invasões e uso irregular de algumas terras já homologadas, muitas vezes com a conivência de lideranças indígenas.

No Congresso, deputados ruralistas aceleram projetos que ampliam o uso das terras, mas sofrem resistência de lideranças indígenas.

 

O Brasil tem 721 terras reconhecidas pela União como tradicionalmente ocupadas por povos indígenas em diferentes fases do processo demarcatório, segundo o Instituto Socioambiental (ISA).

Cerca de dois terços delas já foram homologados e o restante encontra-se em estágios anteriores. A promessa de Bolsonaro de cancelar novas demarcações pode interromper 129 processos em andamento.