Escolas militares do Amazonas tem denúncias de tortura e abusos contra alunos e professores

13 de outubro de 2019 220

Da Carta Capital:

“Mas o que é isso, Filipe? É a escola cívico-militar.” Em mais uma demonstração de seus dotes teatrais e publicitários, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, participou de um jogral com o deputado federal Filipe Barros, do PSL do Paraná. Pretendia promover o mais recente projeto do governo e uma das promessas de campanha de Jair Bolsonaro. “Filipe”, diz Weintraub no vídeo, “você acredita que teve estado que não quis?(…)

Provavelmente, Weintraub não visitou as escolas administradas pela Polícia Militar no Amazonas. Até outubro, registram-se 120 denúncias de abusos morais e sexuais, além de violências físicas praticadas pelos militares que trabalham nas unidades contra professores, estudantes e familiares. A apuração das reclamações e a punição dos envolvidos sucumbem ao silêncio imposto pelo corporativismo, como de praxe nos inquéritos policial-militares. Os casos acumulam-se ao menos desde 2015 e só foram encaminhados ao Ministério Público estadual no início do mês, depois de o deputado Fausto Júnior, do PV, convocar uma audiência pública na Assembleia Legislativa e expor a situação das vítimas. Cerca de 80 mães registraram acusações contra os gestores e muitas alegam sofrer pressões para retirar as queixas.(…)

Entre os abusos cometidos na unidade, consta a denúncia de Anderson Pimentel Rodrigues, professor de Português, agredido no colégio pelo tenente-coronel Augusto Cezar Paulo de Andrade, diretor do CMPM 1. Segundo Rodrigues, o militar deu-lhe um tapa no rosto quando se negou a assinar um livro de ocorrências que o acusava de três infrações. Não só. Em um vídeo postado nas redes sociais, é possível ver o momento em que o docente é encurralado por três militares no pátio e levado para o interior de uma sala.

 

Duas professoras do mesmo colégio declaram ter sido vítimas de assédio sexual praticado por um militar que integra o corpo docente. Segundo uma delas, o oficial propôs um encontro sexual em troca da revisão de uma nota baixa dada à filha da docente que estuda no CMPM 1. Em outra denúncia, um PM é acusado de apontar uma arma para um aluno autista de forma a convencê-lo a sair da sala. Dez militares, lista o advogado da associação, são citados em variadas denúncias.