Exército da Ucrânia alega que suprimentos da Rússia só durarão mais 3 dias
- Um relatório de inteligência ucraniano alega que suprimentos russos estariam acabando;
- Um tabloide russo publicou hoje que 10 mil soldados do país teriam morrido, segundo o Ministério da Defesa, mas disse depois ter sido hackeado;
- Mariupol segue sob controle ucraniano;
- O exército ucraniano anunciou a retomada de Makariv, nos arredores de Kiev;
- O presidente Zelensky voltou a pedir conversas diretas com Putin;
- A Rússia ameaça cortar laços com os EUA;
- Enquanto o presidente Joe Biden disse que Putin pode usar armas nucleares;
- Paralelamente, o Japão criticou a saída russa de conversas para acordo de paz com os japoneses (em uma discussão que remonta à Segunda Guerra).
Retomada de Makariv
As forças ucranianas afirmam terem retomado o controle de Makariv, nos arredores de Kiev, a apenas 50 quilômetros da capital.
O entorno da capital tem sido uma das principais frentes de embate com as tropas russas, que tentam cercar Kiev por terra enquanto executam bombardeios pelo ar - como o ataque a um shopping ontem que deixou ao menos oito mortos. A Rússia afirma que não ataca áreas civis e que o shopping foi bombardeado porque escondia munição ucraniana, segundo o governo em Moscou.
A guerra na Ucrânia chegou nesta terça-feira, 22, a 27 dias, com novos bombardeios sob cidades.
A disputa segue ferrenha sobre o controle da cidade portuária de Mariupol, ao sul, cuja posição é estratégica para que a Rússia ligue os territórios da Crimeia e de Donbas. As condições humanitárias no local seguem precárias, com mais de 300 mil pessoas ainda no local.
Foram mais de 3 mil pessoas evacuadas da cidade na segunda-feira, e 8 mil em toda a Ucrânia, segundo a vice-premiê Iryna Vereshchuk. Mas falta ainda uma evacuação em massa em Mariupol, feita de ônibus, o que dificulta o processo.
Ontem, a Rússia propôs de forma unilateral uma rendição ucraniana em Mariupol para que um corredor humanitário fosse aberto na cidade sitiada, o que não a Ucrânia não aceitou.
10 mil russos mortos?
O tabloide russo Komsomolskaya Pravda divulgou mais cedo informações de que quase 10 mil soldados russos teriam sido mortos na guerra da Ucrânia, e 16 mil teriam ficado feridos. A suposta fonte dos números seria o próprio Ministério da Defesa russo.
Horas depois, o veículo alegou que seu site havia sido hackeado e retirou as informações do ar. O Ministério da Defesa russo disse em coletiva de imprensa nesta manhã que não havia o que comentar sobre o caso.
O governo russo reconhece a morte de menos de 500 soldados, enquanto o governo ucraniano diz que são 15 mil. Um relatório do governo dos EUA até o fim da semana passada estimava o número de mortes em ao menos 7 mil.
Suprimentos russos
O Exército ucraniano alegou em um relatório nesta terça-feira que suprimentos russos estariam acabando e que os estoques de comida e munição durarão "não mais do que três dias".
Tropas russas estão em alguma medida mobilizadas na fronteira ucraniana desde o fim do ano passado, embora novos reforços tenham sido enviados desde então e sobretudo após o início dos ataques oficiais à Ucrânia, em 24 de fevereiro.
Os oficiais afirmam que também falta combustível e que a "mobilização" militar do exército estaria sendo executada de forma "caótica".
"Muitos deles não têm especialidade militar, porque nunca serviram no exército antes", diz o relatório.
Ao mesmo tempo, o temor é que, neste cenário, sejam intensificados os ataques aéreos contra civis, sobretudo aéreos. No começo da guerra, o governo russo esperava conquistar as cidades mais importantes da Ucrânia rapidamente, o que não ocorreu.
Zelensky pede encontro com Putin
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky voltou a pedir nesta terça-feira um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, "em qualquer formato".
Os dois ainda não se falaram desde o início da guerra, embora quatro negociações de paz entre representantes tenham ocorrido.
Na nova fala, divulgada pela imprensa ucraniana, Zelensky diz que está aberto a conversar sobre o status da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 após referendo, e dos dois territórios em Donbas (Luhansk e Donetsk, que querem independência da Ucrânia e são apoiadas por Moscou).
O ponto é um dos mais sensíveis nas negociações de paz e exigência de Moscou para um cessar-fogo, além da garantia de que a Ucrânia não entre para a Otan e que armas e tropas ocidentais não usem o território do país.
Biden diz que Putin pode usar armas nucleares
O presidente americano, Joe Biden, afirmou na segunda-feira à noite que é "claro" que a Rússia está considerando o uso de armas químicas e biológicas na Ucrânia, após o governo russo ter acusado os EUA de armazenar armas químicas na Europa.
"Simplesmente não é verdade, eu garanto a vocês", declarou a líderes empresariais em Washington.
"Também estão sugerindo que a Ucrânia tem armas químicas e biológicas. Este é um sinal claro de que ele (Putin) está considerando usar ambos os tipos (de armas)", disse Biden.
"Agora que a Rússia fez as falsas alegações... todos nós devemos permanecer atentos para a possibilidade de que a Rússia utilize armas químicas ou biológicas na Ucrânia, ou crie operações de bandeira falsa usando as armas", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki.
Rússia ameaça cortar relações
As relações entre EUA e Rússia seguem se deteriorando de vez depois que Biden cravou nos últimos dias que Putin é "um criminoso de guerra".
A Rússia convocou o embaixador americano em Moscou a dar explicações e ameaça cortar laços diplomáticos com os EUA - apesar da guerra e das sanções, os dois países mantém relações diplomáticas oficialmente desde 1933, época da antiga União Soviética.
Biden e Putin falaram por telefone algumas vezes neste ano, além de um encontro presencial no ano passado.
3,5 milhões de refugiados
O número de refugiados chegou nesta terça-feira a 3,5 milhões, segundo nova atualização do Acnur, escritório para refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU). Estima-se também que um em cada quatro ucranianos tenha tido de deixar suas casas, tanto dentro quanto fora do país.
Japão critica Rússia
O governo do Japão criticou a Rússia nesta terça-feira depois que o governo em Moscou se retirou de conversas diplomáticas com os japoneses sobre as chamadas Ilhas Curilhas, que ficam entre a Rússia oriental e o norte do Japão e são disputadas pelos dois países.
A disputa pelo território vinha desde a Segunda Guerra Mundial, quando o Japão esteve ao lado da Alemanha de Hitler e, oficialmente, contra países como EUA, União Soviética (da qual a Rússia é a principal herdeira), França e Inglaterra.
O premiê japonês Fumio Kishida disse que a decisão russa de se retirar das conversas é "inaceitável". Já a Rússia afirma que o movimento vem após o Japão endossar algumas das sanções contra Moscou impostas por potências ocidentais.
"Esta situação toda foi criada por causa da invasão russa à Ucrânia, e a resposta da Rússia de empurrar isso para as relações Japão-Rússia é extremamente injusto e completamente inaceitável", disse Kishida.
(mais atualizações em instantes)