Filha de procurador que virou delegada após ficar em 2.018º em concurso pede indenização de R$ 50 mil em processo contra candidato que expôs caso

22 de setembro de 2026 26

A delegada Ariana Sampaio Sousa, filha do subprocurador-geral de Justiça do Maranhão Francisco Barros Sousa, pede R$ 50 mil em indenização por danos morais em uma ação movida contra um candidato que questionou nas redes sociais a nomeação dela para o cargo. As informações são do UOL.

Ariana também conseguiu na Justiça uma decisão para retirar do ar um vídeo publicado pelo candidato, que expôs a decisão judicial que permitiu sua posse. No entanto, o vídeo segue disponível nas redes sociais de Kelson Francisco, que participou do mesmo concurso para delegado e publicou um vídeo no Instagram comentando a nomeação de Ariana.

Segundo a delegada, o conteúdo ultrapassou os limites da crítica e atribuiu a ela suposta fraude ou favorecimento. A defesa afirma que a ação busca impedir o que classificou como um “linchamento público a partir de uma versão inverídica”. Ariana também sustenta no processo que a publicação citou o nome do pai dela, que é procurador de Justiça, e do tio, o desembargador Raimundo Barros.

Na última quarta-feira (11), o juiz Paulo Roberto Brasil Teles de Menezes, da 0ª Vara Cível de São Luís, concedeu tutela de urgência e determinou a retirada do vídeo. A mesma decisão ordenou a exclusão do conteúdo de um perfil anônimo e a identificação do responsável pela conta.

Na decisão, o magistrado afirmou que a liberdade de expressão não autoriza a divulgação de acusações sem comprovação. “As alegações constantes nos vídeos publicados extrapolam o direito de crítica institucional”, afirmou o juiz. Também foi determinada a proibição de novas publicações que atribuam fraude ou favorecimento a Ariana sem provas, com multa de R$ 2 mil em caso de descumprimento.

Procurado, Kelson afirmou que não havia sido intimado da decisão e contestou a iniciativa da delegada. “Eu apenas comentei decisões judiciais e nomeações públicas. Eles ficaram tão constrangidos que me processaram, e isso não é nem um pouco republicano, democrático e distorce completamente o sentido das funções públicas que eles exercem.”

Ariana foi eliminada ainda na primeira fase do concurso realizado em 2017 e ficou na 2.018ª posição na prova objetiva. O edital previa 20 vagas imediatas - 15 para ampla concorrência e cinco destinadas a pessoas com deficiência e negras - além de cadastro de reserva com 80 candidatos. A cláusula de barreira restringia a convocação para a etapa discursiva aos 225 primeiros classificados na ampla concorrência.

Mesmo após a eliminação, Ariana conseguiu tomar posse como delegada em 12 de maio de 2025, por determinação do juiz Osmar Gomes dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís. A sentença foi proferida em abril daquele ano e é alvo de recurso do governo estadual, que ainda aguarda julgamento no TJ-MA.

 

Fonte: Wendel de Novais